<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<rss version="2.0" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/">
  <channel>
    <title>Próxima parada</title>
    <description>Histórias e pensamentos de uma volta ao mundo</description>
    <link>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/</link>
    <pubDate>Tue, 28 Apr 2026 22:21:59 GMT</pubDate>
    <generator>World Nomads Adventures</generator>
    <item>
      <title>A improvável viagem de trem</title>
      <description>Depois da confusão pra comprar a passagem... a viagem.

O atraso no trem nos dá tempo pra comer umas delícias locais. Fico feliz por todos os anos de treinamento estomacal, comendo porcarias na rua São Bento (hummm, deliciosos churros de 50 centavos!) e acarajé em qualquer biboca de Salvador. Já levo três semanas na Índia me esbaldando na experimentação gastronômica e nem uma diarreiazinha, veja só! Praticamente uma aberração, todos os viajantes que conheci até o momento já tiveram suas “corridas” na Índia.

Hora de embarcar! 

Seguimos para a plataforma e procuramos nosso vagão. Sem nem olhar nosso bilhete várias pessoas nos indicam os vagões de primeira classe, usados por quase todos os estrangeiros que viajam de trem na Índia. Mas não, sabemos que não estamos na primeira classe. Nem na próxima. Nem na seguinte (Sleeper class). Hum, essa outra deve ser a nossa. Uau, parece bem legal – CC, ou “Chair”. Não tem ar condicionado, claro, mas está bem acima das nossas expectativas! 

Entramos no vagão da classe “CC” e percebemos que não há mais lugares pra sentar. Xi.... o pior mesmo é descobrir que essa não é nossa classe! Descemos do trem e andamos mais um pouco. Lá no fim, no finzinho de tudo, há um vagão superlotado, onde as pessoas, bastante barulhentas (pra dizer o mínimo) estão em pé. 

Oh-oh. Essa é nossa classe. 

Essa É a nossa classe. NOSSA CLASSE, JUANA!

E agora? Vamos ou não vamos? Caramba, parece não haver espaço pra uma mosca sequer, como vamos conseguir entrar com as nossas mochilas aí???? Além disso, não custa lembrar que são SEIS horas de viagem. Em pé não vai rolar, muito menos com essas mochilas pesadérrimas nas costas. 

Momento de silêncio. Não falamos nada mas sabemos o que a outra está pensando. Algo como “agora danou-se!”. 

Mas o “danou-se” MESMO ainda estava por vir, pois, de repente... o trem começa a andar!!!! 

Num reflexo corro até a classe “CC” (que, sabemos, não é a nossa) e pulo pra dentro do vagão. Juana me segue e pronto, já foi. Estamos dentro. O plano é: se alguém perceber que essa não é nossa classe faremos cara de paisagem florestal e saltaremos em qualquer estação.  

O início da viagem é um pouco conturbado, pois tenho que sentar no chão e Juana senta com meia-bunda num assento oferecido por três pessoas que já se apertavam em um banco. Mas depois três adolescentes me oferecem um  lugar também (como atração turística tenho direito!) e a viagem transcorre sem maiores problemas, embora eu não consiga mexer os braços nem as pernas. Não, nenhuma paralisia temporária, apenas pura falta de espaço, mesmo. Os trens são feitos para indianos, que são pessoas pequenas. Embora eu não seja exatamente grande, sou bem maior que os indianos em geral, o que me coloca em aperto em qualquer tipo de transporte local. Um pouco mais quando o veículo já está lotado, como agora.  

A viagem leva um pouco mais que as seis horas programadas (ah, surpresa!?!) e chegamos em Satna às 9:45 da noite. 

É como eu disse… na Índia nada é simples.

</description>
      <link>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/26170/India/A-improvvel-viagem-de-trem</link>
      <category>Travel</category>
      <category>India</category>
      <author>lina_santiago</author>
      <comments>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/26170/India/A-improvvel-viagem-de-trem#comments</comments>
      <guid isPermaLink="true">https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/26170/India/A-improvvel-viagem-de-trem</guid>
      <pubDate>Sat, 8 Nov 2008 23:55:00 GMT</pubDate>
      <slash:comments>0</slash:comments>
    </item>
    <item>
      <title>Missão (quase) impossível: sair de Varanasi</title>
      <description>Combinei com Juana, a brasileira de Recife, de nos encontrarmos na estação de trem de Varanasi às 11:15 para pegarmos o trem das 12:15 com destino a Satna. Conforme informações - que busquei no da anterior, na cabine oficial de informações da estação - a viagem leva 6 horas e o valor na classe Sleeper (nem das melhores, nem das piores) é 160 rúpias (pouco mais de 3 dólares). Como estrangeiros têm que comprar o bilhete numa salinha especial que tem até ar condicionado (uau!), penso que chegar com uma hora de antecedência é suficiente.

Mas... na Índia nada é simples.

Entro na salinha de estrangeiros toda saltitante para comprar os bilhetes enquanto Juana olha nossas mochilas. Oh-oh! A salinha está... simplesmente... abarrotada de gente!!!! Conto mais de 20 na minha frente e o único sujeito que está atendendo não está com pressa nenhuma. Diria que está mais lento que um caramujo baiano. 

Passam 10 minutos e ele continua atendendo a mesma pessoa. Interrompo para perguntar se ele acha que terei tempo de pegar o trem que sai às 12:15. Ele nem me olha e responde “da noite de hoje? Não, aqui não é nada para o mesmo dia, é só para reservar para outros dias!”. 

Ah. Ele acha que eu quero comprar pra noite de hoje e diz que não é possível. E... ué, sonhei ou ele disse que aqui é só pra reservar pra outro dia???? 

Melhor perguntar de novo, bem devagar. Ele pode não ter entendido o que eu quis dizer. 

Oh-oh! É isso mesmo, na sala VIP dos estrangeiros não vende bilhete pro mesmo dia! E isso ninguém me avisou antes...

Descubro (da pior forma possível) que os estrangeiros têm que reservar os bilhetes e assentos com alguns dias de antecedência – provavelmente para não se assustarem com o caos e a desorganização que rola nos trens. O fato é que esta é a primeira vez que vou usar um trem na Índia e não sabia disso, e ninguém me avisou ontem, quando vim perguntar sobre os horários. 

A solução, então, é tentar comprar o bilhete num guichê da “vida real”. Lá vou eu. 

Enquanto estou na fila do primeiro guichê que encontro pela frente um segurança super bem intencionado, que tentava me ajudar desde o início, me tira da fila e me coloca em outra. Quer dizer, fila é jeito de falar. Os indianos não estão familiarizados com a palavra fila. Aliás, fico imaginando de onde surgiu o termo “fila indiana”. Tenho absoluta certeza que não foi nenhuma referência, ainda que remota, à Índia. 

Enfim, quando finalmente chega minha vez o atendente, muito mal-humorado, ri na minha cara e diz que ali é só pra trocar reservas já existentes. Diz que eu tenho que ir pra uma outra fila do outro lado da estação. Lá vou eu. 

Chegando no lugar indicado, encontro mais de 10 guichês, todos lotados, e o primeiro diz “Ladies only”. Oba, uma fila só para mulheres! É aqui que eu vou!

Eu sou a mulher mais alta da fila e a única que não usa um saree, de modo que viro a atração do recinto. Percebo que alguns homens folgados mandaram suas esposas pra fila “ladies only” e ficam palpitando impacientes o tempo todo. 

A enorme fila anda um pouco e, pra evitar entrar numa poça (sabe-lá-de-quê) eu não me movo. Uma senhorinha com um ar muito inocente se infiltra, como quem não quer nada, na minha frente. E o marido da mulher que está atrás de mim a manda entrar na minha frente. 

Como é???? Hello-o!!!! Por acaso eu sou invisível aqui, meu filho???

Uepa! Hora de colocar ordem na casa!!!! Educadamente mando a senhorinha para o fim da fila e tiro a outra furona da minha frente. Faço cara de má (muito má!) e digo ao homem que aquele é meu lugar! Tá pensando que aqui é a casa da mãe Joana, cabra da peste??? 

Nessa fila ninguém fala inglês, de modo que a comunicação é por mímica. Por isso a importância da cara de má. 

Quando estou perto o suficiente do guichê para ver o que acontece, noto que rola um tremendo furdunço no balcão. Várias pessoas ignoram a fila chegando perto do guichê com o dinheiro, gritando, fazendo um fuzuê e desorganizando mais ainda o caos. Em resumo, arruínam a fila.

E o meu trem sai em 20 minutos. 

Ai, me vejo obrigada a organizar a fila. Ninguém me entende – e já que ninguém me entende eu falo em inglês, português, espanhol, língua do pê... e vou ajeitando as pessoas na fila e tirando as furonas. 

Infelizmente chego à conclusão de que, na Índia, tem mais força quem fala mais alto. Eles estão acostumados a turistas europeus e americanos, que são tremendamente polidos e nunca reclamam, e dos quais eles fazem gato e sapato. Bom, os turistas até reclamam, coitados, mas o indianos fingem que não entendem e continuam agindo como se nada fosse, e os estrangeiros desistem de prosseguir com a reclamação. Mas veja só, basta uma atitude firme e uma cara beeeeeem má pra eles entenderem rapidinho! 

Quando está quase chegando a minha vez começa novo furdunço. Até homens tentando furar a fila “ladies only” agora, era só o que me faltava! Desesperada pra sair daquela cidade horrorosa (e, mais ainda, da fila) eu começo um escândalo. Em português, mesmo, já que seja lá que eu disser ninguém vai entender. O importante, como eu já disse, é a cara de má. 

As pessoas me olham com cara de quem pensa “Uma turista estrangeira fazendo escândalo na Índia! Onde esse mundo vai parar?” 

O homem do guichê fica atônito, bate furiosamente no vidro mas as furonas nem se lixam. Aaaaah, mas hoje me baixou um espírito de leão-de-chácara e eu parto novamente para a organização da fila. Mando as furonas – com seus maridos marrrrcriados – para o fim da fila. Só com palavras não adianta (problemas de idioma...), então tenho que conduzi-las pelo caminho. Assim me faço entender. Pronto. 

E agora é minha vez. 

Aaaaaai. Não. Não tem mais lugar pra classe Sleeper. Nem pras classes superiores. Só pra uma bem inferior, a mais inferiorzinha de todas. Numa comparação didática: se o trem fosse um estádio de futebol e a viagem fosse a final de campeonato brasileiro, a ingresso seria para a “geral”. Preço 77 rúpias (menos de 2 dólares). 

Pense, Lina, pense rápido. É agüentar 6 horas na subclasse do trem ou mais 24 horas nessa cidade. 

“Ok, ok, ok, me dê essa mesmo, moço, deixa eu correr pra pegar o trem!” - O que, cá entre nós, na verdade significava “rapaaaaaz, não agüento mais essa cidaaaaade, me tira daqui de qualquer jeito, eu vou nesse trem nem que seja surfando no teto!!!!!” 

Saio correndo, encontro Juana (ela já estava achando que eu tinha sido engolida por uma vaca) e partimos pra procurar nosso trem, que está... ATRASADO, claro! Afinal, alguém já viu um trem sair no horário na Índia????



 


</description>
      <link>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/26169/India/Misso-quase-impossvel-sair-de-Varanasi</link>
      <category>Travel</category>
      <category>India</category>
      <author>lina_santiago</author>
      <comments>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/26169/India/Misso-quase-impossvel-sair-de-Varanasi#comments</comments>
      <guid isPermaLink="true">https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/26169/India/Misso-quase-impossvel-sair-de-Varanasi</guid>
      <pubDate>Sat, 8 Nov 2008 22:49:00 GMT</pubDate>
      <slash:comments>0</slash:comments>
    </item>
    <item>
      <title>Queimando em Varanasi</title>
      <description>

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;A cidade de Varanasi é
considerada sagrada pelos hindus pois, conforme a&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;lenda, foi fundada pelo deus Shiva há 5.000 anos.&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;O rio Ganges, aqui
conhecido por Ganga, também é sagrado. &lt;span&gt; &lt;/span&gt;De acordo com a religião hindu, um banho no rio absolve a
pessoa de todos os seus pecados. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;Trocando em miúdos, um
banho no sagrado Ganga bem na parte em que ele passa por Varanasi, também
sagrada, é como assegurar um pedacinho do paraíso! Morrer e ser cremado em
Varanasi, então, à beira do Ganga, é subir em vôo non-stop em primeira classe
para o Nirvana, interrompendo o ciclo de reencarnações necessárias para a evolução
da alma. Essa é, pelo menos, a crença local.&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;Pois hoje acordo às 5:00
da manhã para passear de barco pelo Ganga e testemunhar a fé hindu ao nascer do
sol.&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;É lindo e horrível ao
mesmo tempo. Dezenas de pessoas, de todas as idades, se banham no rio cedinho.
Mergulham, nadam, atravessam o rio até a outra margem, voltam, bochecham com a água,
cospem... Se banham MESMO, alguns com roupa, outros sem cobertura alguma no
corpo. Alguns lavam roupas, outros escovam os dentes e assim a cidade vai
acordando.&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;O que torna a cena horrivelmente
chocante é o fato de, na região de Varanasi, o Ganga ter 1.500.000 (isso mesmo,
um milhão e quinhentos mil) coliformes fecais por 100 ml de água, quando o
valor aceitável para um local de banho é inferior a 500 (quinhentos). Sacou? E
a galera escovando os dentes!!!! Gente, isso é praticamente como comer bosta! Yeeeekt!!!! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Na volta para o hotel, o
guia pergunta se alguém quer comprar xales de seda, o produto pelo qual
Varanasi é famosa. Há cinco pessoas no grupo: eu, que não posso comprar nada
(porque tudo o que compro tenho que carregar), um holandês que também não tem
interesse nenhum em xales de seda e três dinamarquesas, que se animam quando o
guia garante que é um lugar que os turistas não conhecem, perto da casa dele.
Afirma que não está indicando porque leva comissão, não - tanto que ele nem vai
junto!!!! É apenas porque ele quer ser legal com a turistada. Sei… Já conheço
esses papos de guia, mas as dinamarquesas querem ir e, pra não ficar esperando
no carro, vou junto.&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;E olha só que coincidência!!!!!
Justo no momento em que o nosso carro encosta o dono da tal loja está paradinho
ali, batendo papo com alguém!!! Uau, que “sorte” que ele está ali, pois assim já
nos guia para a loja, que fica no meio de um labirinto de casinhas pobres e
vaquinhas gordinhas, e nosso guia, depois de um abraço e umas palavrinhas com o
sujeito vai tranquilamente pra casa. &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;E lá vão as ovelhinhas pra
boca do lobo… Mas antes de nos levar à loja ele faz questão de nos mostrar como
são confeccionados os xales. São quase 9 da manhã e ele pára em uma das
casinhas, onde pela porta e pela janela vemos uma máquina de tecer e duas
pessoas que nela trabalham: um senhor que aparenta pouco mais de 50 anos e uma
criança que certamente não tem mais de 7 ou 8 anos de idade. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Enquanto as dinamarquesas
perguntam sobre a máquina e como são feitas as estampas eu presto atenção na
criança e na tarefa repetitiva e estafante que ela distraidamente desempenha. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;Neste momento, minha
vontade é dar um cruzado de esquerda no nariz do sabidão que explora esse tipo
de mão-de-obra tão covardemente e passar-lhe um sabão que o faria se encolher
de vergonha. Ok, ok, confesso que nem sei o que é um cruzado de esquerda, mas já
ouvi o termo e soa como algo que dói bastante – ainda mais considerando que eu
sou canhota. &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Em alguns segundos volto à
realidade, pois obviamente esse delírio só funciona na minha imaginação. Até
porque eu sou totalmente contra a violência e jamais partiria pra cima de alguém,
mesmo às vezes tendo muita vontade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Minha reação, então, é
perguntar simplesmente: “qual a idade daquela criança??”. O explorador de
criancinhas não respondeu minha pergunta e se apressou em responder que o
moleque&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;obviamente não trabalha
ali – claro que não! Está apenas dando uma mãozinha ao pai, que é o sujeito
trabalhando a seu lado, enquanto seu ajudante não chega! Ah, claro, está tudo
explicado! &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt; A perguntona intrometida
que vive no meu corpo então prossegue:&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;- Esse garoto frenquenta a
escola?&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;- Claro! &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;- A que horas?&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;- A aula dele começa às 10
horas. Daqui a pouco ele vai. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;Percebo que não importa a pergunta que eu faça, a resposta sempre vai ser a politicamente correta, a
que as pessoas querem ouvir - especialmente os turistas que querem comprar as
preciosidades de seda a preço de banana. E não há nada que eu, sozinha, possa
fazer ali, nesse lugar estranho onde nem falo ou entendo a lingua local. Mais
uma situação que entra para a minha “lista de pendências para melhorar o mundo”.
Uma lista, aliás, que só cresce.&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;No fim da tarde volto aos
ghats – a propósito, ghats são escadarias que dão para o rio (no caso, o
Ganges). Encontro Juana, a brasileira de Recife que está viajando pela Índia,
lanchamos juntas e vamos assistir às cerimônias sagradas: o “puja”, que é uma
reza, algo como uma “missa” hindu, e as cremações.&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Damos a sorte de conhecer
um indiano fora do normal, que nos explica pacientemente tudo sobre a cerimônia
de cremação e responde a todas as nossas perguntas, pois mais absurdas que pareçam.
E no final não pede dinheiro e nem quer nos levar a nenhuma loja!!! Uau, isso é
o que eu chamo de um dia perfeito!&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Enfim, resumindo algumas
curiosidades que vi e aprendi sobre o assunto:&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;span&gt;mulheres não podem ir às
cerimônias de cremação porque choram e isso impede que a alma vá para o
Nirvana. Por essa razão, devem ficar chorando juntas em casa em vez de
atrapalhar a libertação do ente querido.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span&gt;são necessários cerca de
200 kg de madeira para queimar um corpo. Cada kg da madeira mais simples custa
entre 10 a 12 rúpias (x 200kg = 2.000 a 2.400 rúpias = 42 a 50 dólares). As
castas mais altas geralmente encomendam a cremação com madeira de sândalo, que é
cheirosa. Preço? Pelo menos 900 rúpias por kg (x 200kg = 180.000 rúpias = 3.750
dólares).&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span&gt;os corpos chegam
carregados pela família sobre uma espécie de maca feita de bambu, são banhados
no rio e logo colocados pra escorrer um pouco (ou não queimam, claro). Após, são
colocados sobre a madeira já “montada”;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span&gt;algumas famílias descobrem
o rosto do morto e posam a seu lado para fotos (vi isso acontecer e achei uma
piração!). Mais madeira é colocada por cima do corpo;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span&gt;dependendo de quem morreu é
definida a pessoa que acende a fogueira. Se foi a mãe, o filho (homem) mais
novo acende; se o pai, o filho mais velho e, se a esposa, o marido. Não
consegui desvendar quem acende quando a mulher que morre é mãe e esposa. Seja
quem for o parente que acende a fogueira, ele tem a cabeça toda raspada em
sinal de luto.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;meu amigo indiano explicou que não é qualquer fósforo que
pode ser usado nas cerimônias de cremação! O fogo usado para acender a fogueira
é um fogo sagrado, uma chama eterna do deus Shiva que fica bem perto do ghat –
tem toda uma lenda interessante pra justificar. E segundo me explicou, é graças
a esse detalhe que não há cheio de carne queimada no pedaço! Não fosse a chama
sagrada, ele diz, o cheiro de churrasquinho humano se espalharia pela cidade.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span&gt;Ossos da bacia feminina e
peito de homens muito fortes não queimam completamente, portanto seus restos são
jogados no Ganges.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span&gt;Agora o que mais me
impressionou: bebês e crianças de até 13 anos de idade, mulheres grávidas, sadhus
(pessoas sagradas), pessoas picadas por cobras (uma cobra de um tipo específico
que aqui eles chamam de “cobra”) e leprosos &lt;span&gt;&lt;span&gt;não são cremados&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; - são apenas
amarrados a uma pedra e &lt;span&gt;&lt;span&gt;jogados&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; no fundo do rio Ganges! O pior é que de vez em
quando acontece de o nó desatar e o corpo subir... aí é preciso amarrar
novamente em uma pedra para afundá-lo. Um estrangeiro que conheci disse que viu
um cachorro andando com o corpo de um bebê já em decomposição, que
provavelmente subiu à superfície e acabou na margem do rio... Pois é, essas
coisas acontecem MESMO.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span&gt;É preciso cerca de 3 horas
para queimar um corpo, e durante esse tempo a família (ou melhor, os homens da
família) ficam assistindo. Terminada a cremação eles se dirigem a outro ghat e
se banham no rio Ganges.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span&gt;Na época de seca, quando o
rio está com baixo volume de água, como agora, o ghat fica com três níveis:
inferior, médio e superior. Nessa época, as cremações, então, ocorrem por
castas. A casta inferior é cremada no nível mais baixo do solo e a casta mais
alta no nível mais alto. Na época de chuvas, em que o rio está cheio, há apenas
um nível – os outros ficam cobertos pela água. Nessa época todas as castas são
cremadas lado a lado, no mesmo nível.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span&gt;Como eu disse, acredita-se
que quem é cremado aqui vai direto para o nirvana e se livra de outras encarnações.
Pois tem gente que, quando adoece, vem pra Varanasi só pra esperar morrer!!!
Aliás, o governo ainda providencia moradia pra essas pessoas!!!!&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/p&gt;





















&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Depois disso, só tenho uma
coisa a dizer: &lt;span&gt;alguém salve o rio Ganges dos indianos&lt;/span&gt;!!!!&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

</description>
      <link>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/26168/India/Queimando-em-Varanasi</link>
      <category>Travel</category>
      <category>India</category>
      <author>lina_santiago</author>
      <comments>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/26168/India/Queimando-em-Varanasi#comments</comments>
      <guid isPermaLink="true">https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/26168/India/Queimando-em-Varanasi</guid>
      <pubDate>Thu, 6 Nov 2008 22:29:00 GMT</pubDate>
      <slash:comments>8</slash:comments>
    </item>
    <item>
      <title>Taj Mahal</title>
      <description>&lt;p&gt;&lt;img src="https://s3.amazonaws.com/aphs.worldnomads.com/lina_santiago/14064/IMG_3780.jpg"  alt="Taj Mahal" /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;
Esta manhã foi o ponto alto da Índia pra mim. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acordamos às 5:30 para chegar ao Taj Mahal bem cedo, no seu horário de abertura, às 6:00. Queremos ver a luz do nascer do sol refletir no mármore do monumento, o que supostamente deve ser uma visão emudecedora. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pra quem sempre ouviu falar mas nunca teve muita certeza do que se trata: o Taj Mahal é um mausoléu e o mais conhecido dos monumentos da Índia. O imperador Shah Jahan mandou construí-lo em memória de sua esposa favorita, Aryumand Banu Begam, a quem chamava de Mumtaz Mahal (&amp;quot;A jóia do palácio&amp;quot;). Ela morreu após dar à luz o 14º filho, tendo o Taj Mahal sido construído sobre seu túmulo, junto ao rio Yamuna. Por isso, o Taj Mahal é também conhecido como a maior prova de amor do mundo, contendo inscrições retiradas do Corão.
&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
A origem do nome é objeto de controvérsias, mas a versão que mais me convence é a de que a palavra &amp;quot;Taj&amp;quot; provem do persa, linguagem da corte mogol, e significa &amp;quot;Coroa&amp;quot;, enquanto &amp;quot;Mahal&amp;quot; é uma variante curta de Mumtaz Mahal. Taj Mahal, então, refere-se à &amp;quot;coroa de Mahal&amp;quot;, a amada esposa de Shah Jahan.
&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A obra foi feita entre 1630 e 1652 com a força de cerca de 22 mil homens, trazidos de várias cidades do Oriente. É incrustado com pedras semipreciosas, tais como o lápis-lazúli entre outras. É classificado pela UNESCO como Património da Humanidade e e, 2007 foi anunciado como uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo Moderno.
&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
Mas enfim... Compramos nosso ingresso a 750 rúpias (algo como 15 dólares), que é o preço para estrangeiros. Indianos pagam 20 rúpias, o que acho justo, pois eles têm que ter acesso aos seus monumentos. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Apesar do horário, há duas longas filas: uma para homens e outra para mulheres. Todos passam por revista pessoal e em suas bolsas e mochilas. Vendo o aviso sobre restrições para a entrada, antes de entrar já passo na chapelaria para deixar o tripé da minha câmera. Não permitem a entrada com uma série de objetos e vejo pessoas tendo que voltar para deixar fios, I-pods e até canetas marca-texto. Karina é uma dessas, tem que voltar porque o guarda da entrada decide que o carregador da bateria de máquina que está em sua bolsa não pode entrar. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

O lado de dentro é absolutamente distinto de tudo o mais que vimos na Índia desde nossa chegada, há uma semana. É de uma tranqüilidade que eu não esperava, jamais, encontrar em Agra. O contrário de todo o caos, pobreza e sujeira que temos visto por todos os lados. 

Caminhamos lentamente pelo páteo até a entrada do monumento que dá acesso ao Taj e... É como a visão de uma obra de arte perfeita!! Dali se vê o Taj ao fundo, inteirinho, emoldurado pela porta em estilo oriental do monumento que atravessamos. Parece mesmo uma pintura! A névoa da manhã (ou o efeito da poluição, difícil definir o que é) me dá a impressão de que o Taj está flutuando em nuvens. Que é um desenho, ou uma ilusão, que flutua em nuvens. É majestoso, de longe a coisa mais maravilhosa que já vi na vida dentre as construídas pelo homem. &lt;/p&gt;&lt;p&gt; 

Não pensávamos que ficaríamos muito tempo, mas duas horas se passam sem que nos demos conta. O mausoléu central está cheio de visitantes barulhentos, o que retira toda a atmosfera mágica do ambiente. Mas acho que, quando no mais absoluto silêncio, o lugar deve ser como um templo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Saímos extasiadas, felizes e embasbacadas com a beleza do Taj Mahal. Vê-lo ao vivo é muito, mas muito diferente mesmo de vê-lo por fotos ou pela televisão. A grandeza da obra e a perfeição dos seus detalhes é de impressionar qualquer um, é algo que intimida e arrepia. Os detalhes coloridos do monumento são pedras de diversos tipos cortadas de modo a encaixar no mármore previamente talhado no formato dos desenhos. Nunca vi nada tão perfeito, de fato é de uma perfeição assustadora. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Entre a rua e a entrada do Taj há que se caminhar por cerca de 1,5km no interior do que me pareceu um parque. Durante o trajeto da volta, além do esperado e infalível assédio de vááários vendedores de quinquilharias turísticas, cruzamos três homens que levam um pequeno corpo sem vida. Um bebê. Um dos homens ia à frente, carregando o corpinho enrolado em papelão e jornal e enfeitado com uma flor. Olho quando passam e posso ver a cabecinha do bebê, mas não vejo seu rosto. Os outros dois homens apenas o seguem, em silêncio. Não sei para onde vão, mas adivinho que realizarão algum ritual local. Nos disseram que os bebês, diferentemente dos adultos, não são cremados quando morrem, mas apenas jogados no rio. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Faço um pensamento pelo bebezinho e por sua família, e especialmente por sua mãe. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Após visitar o impressionante monumento, que nada mais é que um espetacular mausoléu, e cruzar com os homens carregando o bebê, não posso deixar de pensar no quanto a morte está presente em nossa vida.&lt;/p&gt;</description>
      <link>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/25448/India/Taj-Mahal</link>
      <category>Travel</category>
      <category>India</category>
      <author>lina_santiago</author>
      <comments>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/25448/India/Taj-Mahal#comments</comments>
      <guid isPermaLink="true">https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/25448/India/Taj-Mahal</guid>
      <pubDate>Sun, 26 Oct 2008 18:27:00 GMT</pubDate>
      <slash:comments>1</slash:comments>
    </item>
    <item>
      <title>A loucura de Jaipur</title>
      <description>&lt;p&gt;&lt;img src="https://s3.amazonaws.com/aphs.worldnomads.com/lina_santiago/14064/jaipur.jpg"  alt="Tati e Karina com Rafi, nosso motorista de tuc-tuc" /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Acordamos tarde, mas prontas pra explorar Jaipur. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Jaipur, no estado do Rajastão, é conhecida como “pink city, ou a “cidade cor-de-rosa” porque, por ocasião de uma visita da realeza de Whales à Índia, o forte e o palácio da cidade foram pintados em com âmbar. Mas a verdade é que, hoje em dia nada lembra uma cidade cor-de-rosa em Jaipur. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;   

O primeiro lugar que pretendemos conhecer na cidade é um dos bazares locais, e com essa intenção caminhamos em direção à rua. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Logo à saída do hotel somos abordadas por Rafi, um indiano falante e sorridente que nos oferece seus serviços de “taxi”, embora o que ele tenha não seja exatamente um carro – e sim uma espécie de “moto-carruagem”, aqui chamada de &amp;quot;rickshaw&amp;quot; ou &amp;quot;tuc-tuc&amp;quot;. Com uma certa dificuldade em tirar os olhos da rala cabeleira de  Rafi, que reluzia em tons avermelhados pelo uso excessivo de henna, acabamos combinando que por 250 rúpias (algo como 5 dólares norte-americanos) ele ficaria à nossa disposição por 3 ou 4 horas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

“Rafi, queremos ir ao Bazar Johari, que de acordo com nosso mapa fica bem próximo daqui”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Uma coisa sobre os indianos em geral é que eles falam um inglês, digamos, bem particular, que só eles entendem. E nunca entendem o que a gente fala. Acho que isso me faria sentir um pouco incapaz, não fosse o fato de norte-americanos, australianos e britânicos tampouco os entenderem. Ou serem entendidos por ele. 
 
Enfim, feitos esses esclarecimentos... Rafi retruca com seu indi-inglês algo que não compreendemos muito bem e em pouco tempo estamos ziguezagueando no trânsito caótico de Jaipur. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acredite, o trânsito indiano é algo que você não pode sequer imaginar a menos que vivencie. Vou tentar transmitir uma idéia do que seja: imagine ruas largas e empoeiradas, extremamente poluídas. Agora adicione caminhões coloridos e caindo aos pedaços – todos eles com a frase “HONK OK PLEASE” (“Por favor, ok, buzine”) escrita na traseira. Inclua ainda na via dezenas de motocas (eu poderia chamá-las motocicletas, mas acho que não é o caso), algumas com até cinco pessoas, cycle-rickshaws (carruagens de tração humana, ou melhor, puxadas por um indiano pedalando uma bicicleta), dúzias de auto-rickshaws (como a nossa), carros, ônibus superlotados com pessoas penduradas na portas, pedaços de carros que andam, carros-de-boi, carros-de-camelo (sim, carroças de madeira puxadas por camelos), pedestres que circulam em todos os lugares exceto nas calçadas, guardas de trânsito sobre caixas de madeira no meio da via e vacas circulando entre todos os anteriores. 

Em silêncio isso já seria uma visão do inferno, mas na vida real a sonoplastia desse cenário consiste em uma sinfonia incessante de buzinas desafinadas e escapamentos furados. Uma visão e audição do inferno. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Apesar de todo o caos, a verdade é que estou adorando! Tudo é tão diferente de tudo o que já vi na vida que é impossível não ficar fascinada! As meninas também parecem estar gostando muito e nós três não conseguimos para de rir. Apontamos para tudo, tudo nos parece um grande e delicioso absurdo.
&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
E nesse paraíso que seguimos até Rafi desviar e o cenário ir mudando. De ruas poluídas engarrafadas passamos a circular por não menos caóticos caminhos menos comerciais e ainda mais sujos. Aumenta também a variedade de animais soltos pelas vias: os camelos e vacas têm agora a companhia de muitos porcos, galinhas, cabras e bodes. As casas são precárias e pode-se perceber a completa ausência de noções higiênicas. Crianças pequenas e sujinhas brincam entre os animais, até vemos uma fazendo cocô agachadinha em plena rua – que nos sorri e dá tchauzinho. Uma visão chocante e ao mesmo tempo interessante, pois as pessoas parecem felizes. Algo assim... incompreensível, até mesmo para pessoas vindas de uma país cheio de contrastes como o Brasil. &lt;/p&gt;&lt;p&gt; 

Do caos absoluto entramos em uma espécie de páteo tranqüilo e Rafi pára diante de uma construção que parece um castelo. Na placa se lê “Gatore Ki Chattria”, é um local para visitação. Pagamos entrada – para nós e para nossas câmeras fotográficas. Aqui na Índia você tem que pagar entrada pra sua câmera se quiser fotografar determinados lugares. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Diante do argumento de um rapaz, que dizia que não entenderíamos nada do que visitássemos sem explicações especializadas, aceitamos os serviços de um guia local. A verdade é que não conseguimos entender nem 10% do indo-inglês macarrônico do guia, de modo que continuamos sem entender nada do que visitamos. Pescamos, por cima, que a construção serve de túmulo de uns caras da realeza, um deles um sujeito que tinha 3 esposas e 22 filhos com elas, além de 36 namoradas “por fora” e cento e tantos outros filhos com essas. Um cara bem animado e disposto, eu diria. Um entre os cento e tantos dos seus filhos morreu aos 18 anos, solteiro, de febre amarela. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

À saída, após nosso guia “bilíngüe” ter demonstrado pouca satisfação com o valor que decidimos lhe pagar pelos 20 minutos de “relevantes serviços prestados”, voltamos a nosso “taxi”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

“Rafi, obrigada. Agora queremos ir para o Bazar”.
&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
Mas... mais uma vez Rafi nos leva para um lugar diferente de onde pedimos pra ir, dessa vez para o Jal Mahal, conhecido como Palácio das Águas por estar situado no meio de um lago. É um passeio interessante, o lugar é bonito. Mas a atração mesmo são as três forasteiras. Uma das famílias indianas que visita o local pede para que tiremos uma foto com eles. Outros vêem que aceitamos com simpatia e pedem também. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Certo, eu não diria que conseguiríamos nos passar por indianas com muita facilidade, mas daí a virar atração turística já é outra história! Seja como for, tudo é festa e tiramos fotos com todo mundo na maior alegria. Nós estamos nos divertindo, claro, pois quando você não entende nada o melhor é achar engraçado e se divertir! Só fico imaginando o que essas pessoas fazem com esse tipo de foto... será que algum dia vou me deparar com minha imagem na internet? Em que contexto? Descrita como a namorada de alguém, mãe de alguém, amiga de um desconhecido? Melhor nem pensar... &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Seguimos nosso tour e Ravi, o motorista super simpático, alega que o Bazar é um local para turistas, produtos de péssima qualidade e preços altos, enfim, tudo aquilo que não queremos quando visitamos um país estrangeiro e do que, de uma forma ou de outra, não conseguimos fugir. Diz que conhece as fábricas de tecidos, preço baratinho, sem atravessadores. Nos mostra um caderninho com comentários de outros turistas, os quais diziam algo do tipo “puxa, usei os serviços de Rafi e tive um dia fantástico, fui a lugares maravilhosos e, depois de tudo, Rafi ainda me apresentou a seu guru, que é uma pessoa super iluminada e acertou tudo sobre minha vida! Obrigada, Rafi, jamais vou te esquecer”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt; Parecia propaganda de canal de vendas, onde há depoimentos de pessoas que alegam ter tido sua vida completamente mudada ao começar a usar a meia-calça que não rasga nem com prego, ou o creme emagrecedor que dispensa dietas e exercícios. &lt;/p&gt;&lt;p&gt; 

Bom, se tem uma coisa que eu aprendi nos últimos quatro meses é que taxista não se salva em nenhuma parte do mundo. Devo estar sendo injusta com um punhado de bons profissionais, eu sei, mas não existe nada que turistas e viajantes reclamem mais do que taxistas. Eu não tenho usado muitos taxis durante minhas andanças, mas nas poucas vezes que tive que fazê-lo - no Marrocos e Turquia, apenas – a experiência foi estressante. E confesso que na Jordânia eu só não parti para a ignorância porque sou muuuuito da paz e, além de tudo, uma pessoa muito, muito paciente. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Enfim, Rafi desfia mil elogios ao seu iluminado guru e diz que quer nos levar para conhecê-lo. “Certo, Rafi, quanto vai nos custar essa visita ao guru??”. Rafi se faz de ofendido e diz que seu guru não cobra nada, imagine!!!! Afinal, ele é um guru e seu objetivo na vida é ajudar as outras pessoas na busca da felicidade! 
“Sendo assim, Rafi, podemos conhecer seu guru, mas não agora. Queremos conhecer o Bazar”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

E lá vamos nós com Rafi, que estaciona... em frente a um fábrica de tecidos!!?! Uuugh, qual é o problema com esse sujeito??? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;“Venham, é pra vocês conhecerem como é o processo de tingimento dos tecidos, nada mais! Não é pra vocês comprarem nada”. E lá vamos nós...

De fato, é interessante ver como eles fazem as estampas no tecido. Eu sempre fiquei imaginando qual seria o motivo de várias cangas de praia indianas terem as cores das estampas saindo pra fora das linhas de uma maneira tão uniforme, como se o desenho fosse resultar completo e perfeito se o colorido estivesse um pouco puxado pra esquerda ou pra direita. Sempre achei que seria um desajuste em alguma máquina de imprimir estampas, mas não era nada disso. Agora entendi: tudo funciona com carimbos!!! Uma pessoa passa o dia inteiro carimbando um tecido, primeiro com as linhas do desenho. Depois posiciona um segundo carimbo com uma cor para colorir uma parte do desenho, um terceiro com outra cor pra preencher outra parte e assim vai. Se um dos carimbos de preenchimento do desenho fica mal posicionado, acontece aquele efeito maluco que eu descrevi inicialmente. É tudo manual, super manual! Vá lá, olhe sua canga indiana e repare! &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Mas... como seria quase impossível que um taxista estivesse nos levando a um lugar só pra aprender sobre costumes, cultura ou processo criativoe industrial local, logo depois de conhecermos os segredos indianos da estamparia de tecidos somos levadas a uma outra salinha, esta cheia de tecidos, roupas, colchas, capas de almofadas, cachecóis... &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tudo é muito bonito, sem dúvida, mas meu estilo de viagem não me permite compras. Primeiro, porque tudo o que eu compro tenho que carregar. Além disso, compras de natureza supérflua não estão no orçamento. 

Antes de começar a viagem eu fiz toda uma preparação psicológica para “praticar o desapego” e conseguir sobreviver com apenas o que estivesse dentro da minha mochila, e nada mais, por um ano. O resultado é que estou me saindo muito bem!!! Quem me viu, quem me vê... acho que nem minhas amigas estão acreditando. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;
Eu preciso, de fato, comprar umas roupinhas. Antes de chegar à Índia fui deixando pra trás tudo o que não me serviria aqui: roupa de frio, jeans, vestidos de praia, saias curtas... apenas me sobrou uma calça de caminhada, um shorts de caminhada (que não pretendo usar na Índia, seria um desrespeito à cultura local), uma saia até o joelho e algumas camisetas. Algumas já furadinhas de tanto lavar e outras manchadinhas pelas lavagens - realmente acho que esqueci de passar na fila de prendas domésticas antes de nascer. Preciso mesmo comprar alguma coisa pra vestir, até mesmo porque (e minha mãe vai ter um treco quando ler isso!) já levo três dias usando a mesma saia. Mas não vai ser aqui...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;      

As meninas estão enlouquecidas. Parece que compram presentes até pra desconhecidos, tão sério é o surto que as acomete. Seus olhinhos brilham – e os do vendedor brilham ainda mais com essas garotas embirutadas circulando pela loja. Logo paro de ser adulada – acho que o vendedor percebeu que eu não quero nada além de uma bolsinha de pano, a qual uso para substituir minha mochila de andar por aí durante todo o dia, que rasgou e eu não consegui consertar. Gasto o equivalente a 4 dólares – meu orçamento comporta esse “luxo”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Saímos da loja esgotadas, apesar de ainda ser cedo. Rafi ainda quer nos levar ao seu guru, mas dizemos que fica para o dia seguinte. O motorista se mostra muito decepcionado com a nossa negativa mas, como dessa vez pusemos caras de garotas muito más ele não ousa nos contrariar. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Não posso negar que durante todo o dia, mesmo nos momentos mais esquisitos e diante de todos os truques de Rafi pra desviar do lugar onde queríamos ir, nos divertimos muito. Na verdade, não conseguimos parar de rir por mais de cinco minutos consecutivos desde que saímos do hotel. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Assim, encaramos com muito bom humor mais essa roubada coletiva. Isso é só o começo...&lt;/p&gt;</description>
      <link>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/25447/India/A-loucura-de-Jaipur</link>
      <category>Travel</category>
      <category>India</category>
      <author>lina_santiago</author>
      <comments>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/25447/India/A-loucura-de-Jaipur#comments</comments>
      <guid isPermaLink="true">https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/25447/India/A-loucura-de-Jaipur</guid>
      <pubDate>Wed, 22 Oct 2008 18:19:00 GMT</pubDate>
      <slash:comments>1</slash:comments>
    </item>
    <item>
      <title>Chegando na ÍNDIA!!!!!</title>
      <description>&lt;p&gt;
Pouso em Mumbai, Índia. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O comandante do vôo dá as informações de temperatura e horário local – são 4:15 da manhã. Eu acho que ele se enganou, pois meu relógio com o horário da Turquia marca 1:45 da manhã, e com a mudança de fuso agora devem ser 3:45 ou 4:45. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Estou super animada por estar em Mumbai, especialmente porque duas das minhas amigas mais queridas e loucas tiraram férias pra me encontrar aqui. Uma vem de Miami e a outra do Rio, e passaremos duas semanas circulando pela Índia juntas. Aliás, elas já devem ter chegado há algumas horas! Que saudades! &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Chego à fila de imigração – que está enorme!!! Não há uma fila separada pra indianos e eles são a maioria. Espero por quase uma hora para passar e, enquanto isso, observo as pessoas. Quanta gente tão diferente!!! Rapaz, como esse mundo é grande!!!!! Acho lindas as mulheres usando seus sarees coloridíssimos, é um estilo e tanto. Homens com turbantes. Homens e mulheres vestidos em estilo ocidental, há de tudo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Na fila me dou conta que o horário informado pelo comandante do avião fazia sentido. Bom, então meu relógio deve ter parado. Mas checo o celular e vejo que marca a mesma hora que o meu relógio. Que coisa louca! Aqui existe meio-fuso, algo que eu nem sabia que existia. Achava que a cada meridiano aumentava ou diminuía uma hora cheia, nunca havia ouvido falar de meia-hora. Mas aqui é assim. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Passo a imigração e vou atrás da minha mochila. Ando, ando, ando... e meu vôo não está listado em nenhuma das esteiras. Vou a um balcão que parece ser o de informações e pergunto sobre o paradeiro das bagagens do meu vôo e o sujeito responde. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Hãããã????? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Isso foi uma resposta em inglês?
&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
Pergunto de novo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Hãããã????????? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Devo ter viajado muitas horas, não estou reconhecendo as palavras. Se isso é inglês, eu sou russa. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Ocorre que isso é, sim, inglês. Pelo menos os indianos dizem que é, eles acreditam nisso. E depois de muito perguntar e fazer cara de vaso, cara de interrogação e cara de marciana eu descubro que andei pro lado errado, minha bagagem está em outro lugar que eu não tenho a mínima idéia de onde seja. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Um passeio pelo aeroporto de Mumbai e encontro minha mochila. À saída, troco um dinheirinho e procuro por taxis pré-pagos. Ainda na Jordânia me dei conta de que não sabia qual era o hotel em que ficaria (as meninas planejaram tudo e eu não me preocupei em guardar os detalhes), mas mando uma mensagem pelo celular e quando ligo o telefone, em Mumbai, a resposta está lá. Garotas espertas!!! Me mandam até o valor que meu táxi deve custar – cerca de 300 rúpias. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Pergunto em uma das empresas de táxi, me passam o preço de 800 rúpias. Caramba, a essa hora da manhã eu não consigo nem fazer conta, não faço idéia de quanto valem 800 rúpias. De qualquer forma, o valor está muito longe dos 300 informados pelas meninas. Sigo em frente até a próxima cabine, até meu hotel serão 350 rúpias. Hummm, pouca diferença para os 300 – sem contar que são 5 da manhã deve ter algum adicional noturno no preço, certo?
&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
Saio do aeroporto e vou na direção indicada pelo senhor da empresa. Encontro o carro que tem a placa que me informaram. Um homem e um garoto vêm em minha direção e o garoto – que deve ser o ajudante - pega minha mochila e a coloca no porta-malas do... táxi???
&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
ISSO É UM TÁXI???? Mais parece um... um carrinho de brinquedo, é tão pequenininho!! Eu entro no banco traseiro e minha cabeça encosta no teto (vamos lá, gente, eu tenho 1,67m, não sou nenhuma gigante). Tenho um ataque de risos sozinha ao entrar no carro. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Entra o motorista – e é agora mesmo que eu não consigo parar de gargalhar!!!! Meu motorista parece ter 12 anos!!!!!!! &lt;span&gt;Moleque, você tem carta????? Como é que sua mãe deixa você estar na rua a essa hora???&lt;/span&gt; E eu que pensava que ele era o ajudante... &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

O trajeto até o hotel levou algo entre 50 minutos e uma hora e tudo era novidade!!!! Primeiro, o fato de eu estar andando em um carro de brinquedo dirigido por uma criança (certo, ele não devia ser uma criança, mas parecia). Além disso, na Índia eles usam a mão inglesa, ou seja, o motorista dirige no lado direito do carro e as mãos das ruas são inversas ao que estou acostumada. Já havia tido a experiência na Inglaterra, mas de dentro de um carro de brinquedo dirigido por uma criança a sensação é muito mais... divertida! Sem contar que, como o carro é muito pequeno, quando olho para o banco da frente (o esquerdo, onde estamos acostumados a dirigir) e não vejo ninguém dá uma hilariante sensação de que o carro está andando sozinho. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Eu tento puxar papo com o moleque que está dirigindo, mas acho que ele não está entendendo nada do que eu digo. Apenas sorri pelo canto da boca e balança a cabeça na diagonal (que porra isso significa????). Quando ele finalmente responde alguma das minhas perguntas... sou eu quem não entende nada. Como o sujeito das bagagens, ele parecia estar com quatro chumaços de algodão na boca enquanto falava: um em cada bochecha, um embaixo e um sobre a língua. De qualquer forma, não acho que ele entendeu minha pergunta e, frustrada, desisto temporariamente da comunicação.
&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
Mas nem em silêncio o trajeto deixa de ser super interessante. Apesar do horário e de ainda estar escuro, vejo muitas pessoas a caminho do trabalho. Muita, mas muita gente mesmo, de todas as idades, dormindo na rua. Um camelo!!! Alguns carros-de-camelo, ou seja, charretes puxadas por um camelo. Uma feira. Um homem já mais velho caminhando tranquilamente pelo meio da rua completamente pelado (está calor, mas... que estranho! Deve ser maluco). A praia (tem um “quê” de Copacabana, só que beeem mais decadente). &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Além de todas essas distrações, o meu táxi não está no que se pode chamar “um excelente estado de conservação” e a porta do meu motorista-mirim se abre por três vezes em curvas. Como se aquilo fosse a coisa mais natural do universo, ele mantém uma mão no volante e com a outra puxa e bate a porta. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Entre uma segurada de porta e outra ele escarra e cospe pela janela - um dos hábitos indianos mais nojentos e que se vê a cada 47 segundos em qualquer lugar do país. Aliás, o lance da escarrada é tão cultural e problemático por aqui que nos dias seguintes vejo cartazes do governo com os dizeres “acabe com a tuberculose, pare de cuspir”. Mas acho que ninguém dá bola... aliás, posso apostar que os caras que criaram essa propaganda também escarram em qualquer lugar, assim como seus pais, mães, irmãs e esposas. O ato de escarrar não está restrito aos homens... &lt;/p&gt;&lt;p&gt;     

E com esse banho de novidades eu chego ao hotel pouco depois das 6 da manhã e encontro as minhas duas amigas queridas dormindo depois de viajarem por mais de 20 horas. Apesar do cansaço que sei que devem estar sentindo, não resisto e acendo a luz, acordo-as gritando de saudades! Elas fingem que não se importam mas no fundo querem me matar, eu sei. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fico falando sozinha um tempo (elas já dormiram de novo) e, depois do banho, me dou conta de que nosso quarto triplo só tem duas camas de solteiro... Karina explica que quando chegaram eles disseram que estavam trazendo a cama extra, mas o fato é que ela nunca chegou... e apesar de Karina ter oferecido metade da sua cama pra mim, prefiro a dureza do chão... afinal, já passei tanto perrengue nos últimos 5 meses que um dia a mais, um dia a menos não vai fazer a mínima diferença. &lt;/p&gt;&lt;p&gt; 

Pego meu saco de dormir, coloco no chão e desmaio de cansaço, também. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;ESTOU NA ÍNDIA!!!!!!!!&lt;/p&gt;</description>
      <link>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/25446/India/Chegando-na-NDIA</link>
      <category>Travel</category>
      <category>India</category>
      <author>lina_santiago</author>
      <comments>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/25446/India/Chegando-na-NDIA#comments</comments>
      <guid isPermaLink="true">https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/25446/India/Chegando-na-NDIA</guid>
      <pubDate>Mon, 20 Oct 2008 18:15:00 GMT</pubDate>
      <slash:comments>0</slash:comments>
    </item>
    <item>
      <title>Foi hoje</title>
      <description>

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Chegou o
dia&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Eu sabia
que, mais cedo ou mais tarde esse dia chegaria na minha viagem. E foi hoje. Sem
aviso prévio, sem preparação psicológica adequada, foi hoje. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Eu ia de
Marmaris para Pamukkale, na Turquia, de ônibus. Bebi muita água. Bebi refrigerante.
Bebi chá gelado. E, como era de se esperar (embora a gente nunca pense nisso
antes), depois de um tempo precisava desesperadamente fazer pipi.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Agradeci
aos céus quando o ônibus fez uma parada, a única das quase quatro horas de
viagem. Corri para o WC Bayan (o banheiro feminino), abri a porta e... lá
estava ele. Ou ela. Não sei como chamar aquela coisa... &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Pela
primeira vez na viagem eu tive que usar um banheiro em estilo oriental. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Até hoje eu
até já tinha me deparado com isso, mas geralmente onde havia o oriental havia
pelo menos uma portinha em estilo ocidental, com nosso bom e velho vaso
sanitário, privada ou seja lá o nome que você dê. Ou seja, eu tinha uma
escolha! Mas hoje não... &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;O banheiro
em estilo oriental é basicamente... um buraco no chão. É uma pia sanitária, mas
está enterrada no chão – de modo que o que sobra, no final das contas, é um
buraco. Você posiciona seu pezinho direito de um lado, pezinho esquerdo do
outro e... agacha? Ai, ai, ai, uma experiência bem diferente. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Veja bem,
nenhuma mulher senta em vaso sanitário público. Nós nos equilibramos sempre, mesmo
quando delirantemente bêbadas. Podemos esquecer nosso próprio nome mas nunca do
modo correto e mais higiênico de usar um banheiro público. Mas mesmo não
tocando a louça sabemos que o vaso está logo ali embaixo, no lugar de sempre, e
isso dá um certo conforto psicológico.&lt;span&gt;   &lt;/span&gt;&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Mas hoje
não. E eu tive que encarar. E sei que é só a primeira das dezenas ou até
centenas de vezes que eu vou passar por isso. E meu &lt;i&gt;debut&lt;/i&gt; foi dos mais simples, um mero pipizinho. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Desculpe
dividir isso com tanta intimidade, mas eu precisava falar! &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

</description>
      <link>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/25444/Turkey/Foi-hoje</link>
      <category>Travel</category>
      <category>Turkey</category>
      <author>lina_santiago</author>
      <comments>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/25444/Turkey/Foi-hoje#comments</comments>
      <guid isPermaLink="true">https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/25444/Turkey/Foi-hoje</guid>
      <pubDate>Sun, 5 Oct 2008 18:10:00 GMT</pubDate>
      <slash:comments>0</slash:comments>
    </item>
    <item>
      <title>O estranho caso da cadela pretinha</title>
      <description>&lt;p&gt;&lt;img src="https://s3.amazonaws.com/aphs.worldnomads.com/lina_santiago/14055/IMG_2471.jpg"  alt="Pretinha" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
Quem me conhece sabe que eu adoro cães. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Cães de raça, cães desclassificados, cães charmosos, feiosos, limpos, sujinhos... nada me derrete mais que olhinhos caninos!
&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
Pois ontem me aconteceu algo estranho. 

Eu passeava pela área portuária de Rhodes, parando com freqüência para fotografar. Caía a tarde e eu levava junto meu tripé para fazer umas fotos do lugar à noite. Foi então que... percebo aquela bolinha preta saltitando à minha volta, parando quando eu paro, andando á minha frente, a meu lado, atrás, mas nunca se distanciando muito. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aliás, essa é a parte estranha: eu nem havia brincado com ela, feito festinha, carinho, coceguinhas – nada! – e a bichinha me seguia sem parar. 

Com essa companhia tão agradável e inesperada não consigo resistir e passo a conversar com ela. Grande equívoco, pois é então que ela me adota completamente! Me segue por horas e as pessoas pensam que é meu cão!
&lt;/p&gt;&lt;p&gt; 
Saudades da minha Nana...
&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
Bom, com essa intimidade toda eu tenho que dar um nome a ela: Pretinha! Estranhamente ela responde ao nome e atende aos meus comandos em português, apesar de ser grega. Vai entender... &lt;/p&gt;&lt;p&gt;
Algum tempo depois, paro à beira de uma plataforma, ajeito o tripé e dou falta da Pretinha. “Hummm... ela estava aqui há poucos segundos... bom, ok, deve ter cansado de me seguir. Mas... que barulho esquisito é esse? Ah, não deve ser nada. Minha imaginação.”

Mas... Não, não é minha imaginação. A gente se distrai um segundo e olha só o que acontece!!!!! &lt;/p&gt;&lt;p&gt; Não sei se por acidente ou propositalmente (ela é uma cadelinha bem agitada), mas quando eu vejo Pretinha está no mar, nadando! Imagine Pretinha bem preta, naquele escurão, dentro da água... quase não se via!!!! Ooops, mas parece que ela não consegue sair da água! Ai, ai, ai, será que eu vou ter que me jogar no mar de roupa e tudo às 10:30 da noite pra resgatar meu cão que nem é meu???? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Com sorte, depois de algum esforço ela consegue sair da água e eu me livro de resgatá-la. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Resolvo voltar pra casa – e ela me segue pela cidade toda até lá. Eu sento no restaurante em frente à pousada e ela senta aos meus pés por um tempo, depois se joga no meu colo. Vai ficando tarde e preciso dormir, pois no dia seguinte preciso levantar cedo pra pegar o barco pra Turquia. &lt;/p&gt;&lt;p&gt; 

O dono da minha pousada (e também do restaurante) se compadece com a simpatia da cadelinha e me promete que se ela ficar por lá ele vai cuidar dela. Eu subo pro meu quarto, ela vem atrás e eu me despeço, fechando a porta. Difícil despedida, ela já me conquistou inteiramente!
&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
No dia seguinte cedinho eu abro a porta do quarto e... ali está Pretinha pulando feito louca como quem diz “até que enfim você saiu daí, estava te esperando, vamos passear por aí, pô!” Fico feliz em vê-la novamente, e ao mesmo tempo triste porque sei que ela me seguirá até o porto e não saberá jamais voltar pra pousada, onde o grego cuidaria dela. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Eu nem me importei de limpar o cocô que ela fez à noite no corredor enquanto me esperava do lado de fora do quarto – afinal, embora ela não seja meu cão é como se fosse. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Então lá vou eu pro porto, com a Pretinha ao lado. Passo pelo controle de passaporte – com Pretinha junto. Sento pra esperar o horário do barco – e Pretinha senta junto, ao meu lado. Quando dá o horário de entrar no barco... lá vem Pretinha junto. 

Mas Pretinha não pode entrar no barco. Eu entro e ela fica ali fora, em frente à porta, chorando. Os passageiros e a tripulação riem, desacreditados. Eu sofro, sinto meu coração partindo.
&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
Como são difíceis as despedidas... Durante a viagem encontro pessoas incríveis com quem vivo momentos fantásticos e sempre me despeço com alguma tristeza. Sei que provavelmente não voltarei a ver aquelas pessoas que, por um momento, pareciam fazer parte da minha família. Mas assim é a vida.
&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
Saio do barco uma vez para acalmar Pretinha (ou seria pra me acalmar?) mas o momento chega e eu tenho que entrar. Pretinha fica ali, sentada, imóvel, vendo o barco partir. 

Do lado de dentro do barco estou imóvel, olhando com meu coração partido aquela cadelinha que me esperava sem nem entender o por que, e que agora deve estar sofrendo tanto quanto eu. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;

Mas assim é a vida, e nós duas vamos sobreviver.&lt;/p&gt;</description>
      <link>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/25445/Greece/O-estranho-caso-da-cadela-pretinha</link>
      <category>Travel</category>
      <category>Greece</category>
      <author>lina_santiago</author>
      <comments>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/25445/Greece/O-estranho-caso-da-cadela-pretinha#comments</comments>
      <guid isPermaLink="true">https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/25445/Greece/O-estranho-caso-da-cadela-pretinha</guid>
      <pubDate>Fri, 3 Oct 2008 18:12:00 GMT</pubDate>
      <slash:comments>0</slash:comments>
    </item>
    <item>
      <title>Gallery: Marrocos</title>
      <description />
      <link>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/photos/13007/Morocco/Marrocos</link>
      <category>Travel</category>
      <category>Morocco</category>
      <author>lina_santiago</author>
      <comments>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/photos/13007/Morocco/Marrocos#comments</comments>
      <guid isPermaLink="true">https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/photos/13007/Morocco/Marrocos</guid>
      <pubDate>Wed, 10 Sep 2008 21:11:00 GMT</pubDate>
      <slash:comments>0</slash:comments>
    </item>
    <item>
      <title>Pelos caminhos da Medina</title>
      <description>&lt;p&gt;&lt;img src="https://s3.amazonaws.com/aphs.worldnomads.com/lina_santiago/13007/IMG_1623.jpg"  /&gt;&lt;/p&gt;


&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;Algeciras, España, 9 de setembro de 2008,
7:30am&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Pela
primeira vez nos últimos 3 meses estou sentindo uma grande ansiedade.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Viajar de forma independente pelo
Canadá, Estados Unidos e Europa é muito fácil e previsível. Mesmo quando as
coisas dão errado a situação fica longe de preocupante. Já no Marrocos eu não
sei o que esperar...&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Estou
usando uma das duas únicas calças compridas que tenho na mala e a única
camiseta que trouxe que me cobre os ombros. Não é fechada até o pescoço e ¾ dos
meus braços estão à mostra, mas pelo menos acho que dessa forma não estou
insultando a cultura local.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Quero
respeitar as pessoas do lugar, suas crenças e costumes e fazer o possível pra
não chamar a atenção. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Inicialmente
eu não pretendia ir ao Marrocos, pois entendia que seria um país perigoso pra
uma mulher sozinha. No entanto, conheci uma marroquina no Canadá que me disse
que meu conceito não era correto e me interessei. Pesquisei melhor e vi que
pode ser difícil, mas não é impossível.&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Sendo
assim, vim pra Algeciras, a cidade espanhola de onde sai a balsa para o
Marrocos. A minha idéia inicial era chegar em Tanger e passar a noite, no dia
seguinte seguir pra Fez e, na seqüência, Marrakech. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Bom, mas
agora já mudei os planos. Estou pegando a balsa de Tarifa, e não mais de
Algeciras, pois era mais rápido e mais barato. E não pretendo mais ficar em
Tanger, quero chegar lá e ir direto para Fez. Como fazer, ainda não sei... &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Considerando
que os meus planos são extraordinariamente flexíveis e eu não tenho reserva
nenhuma de hospedagem em lugar nenhum do Marrocos, acho que vou ter que esperar
o dia acabar pra saber o que terei feito...&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;Tanger, Marrocos, 9 de setembro de 2008 –
8:00am (10:00am na Espanha)&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Foi um
choque. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Depois de 3
meses viajando por lugares super organizados, minha chegada ao Marrocos só pode
ser descrita assim: um choque. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;O porto de
Tanger é super desorganizado. Não há balcão de informações turísticas. O que há
são apenas cabines de câmbio de moeda com sujeitos mal-humorados que não te
olham na casa e não falam (ou não querem falar) espanhol nem inglês. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Logo que
desci da balsa fui abordada por quinhentos taxistas. Teve um bem insistente que
acabou me levando pra estação de ônibus por 3 euros. Parece barato mas é um
roubo, a corrida no taxímetro não sairia mais de 1 euro. Eu sabia disso desde o
início mas, veja bem, não estou exatamente em condições de discutir o preço.
Preciso sentir o lugar primeiro, entender como são as pessoas... &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Durante o
(curto) caminho para a rodoviária o motorista tenta me convencer que pegar o
trem seria muito melhor e por meros 2 euros adicionais me levaria à estação de
trem. Eu recusei de maneira firme, não queria que ele me roubasse ainda mais. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Estação de
ônibus. Um choque. Maior ainda. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;A estação
de ônibus de Tanger é horrorosa, pequena e suja. Até o pseudo-postinho
rodoviário de Barro Duro, no Maranhão, ganha de lavada da rodoviária de Tanger.
Ao entrar, dúzias de homens gritavam nomes de cidades marroquinas para vender
bilhetes, embora houvesse guichês de passagens. E os ônibus são... bem, digamos
que não são exatamente limpos e confortáveis. E recordando minha experiência
com ônibus rodoviários na Bolívia, comecei a considerar o trem. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Ainda
chocada resolvi perguntar ao sujeito do guichê de guarda de bagagem sobre o trem,
e ele disse que de fato seria melhor. Nem duvidei, pois era difícil imaginar
qualquer meio de transporte que pudesse ser pior que aqueles ônibus. Pergunto
se a estação fica longe e quanto daria o taxi, e ele responde que não é longe e
que o preço seria o que desse no taxímetro - o que não me ajudou muito, já que
o motorista poderia dar uma volta gigante pela cidade comigo e eu não poderia
nem brigar depois. Com pena de mim o sujeito concluiu que o preço, no
taxímetro, não daria mais que 7 dirhams – menos de um euro. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Com essa
informação saio novamente pra rua (onde dezenas de taxistas quase se
esbofeteavam por passageiros) e pergunto a um sujeito quanto ele me cobraria
até a estação de trem. Quando a gente não conhece a língua, a cultura e a
cidade a ordem é sempre negociar o preço ANTES de entrar no carro... “Vinte e
cinco dirhams”. Vinte e cinco????? Porra!!!!! Faço cara feia, chamo ele de
mentiroso desonesto (na minha própria língua, mesmo) e saio andando e falando
sozinha. Respiro fundo - isso vai levar um tempo, preciso ser paciente. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Resolvo me
afastar um pouco da entrada da rodoviária pra ver se dou mais sorte e abordo um
outro taxista, que diz que me cobraria 10 dirhams pelo trajeto. Bom, não é como
7 mas está perto. Dá algo como um euro. Pelo menos ele nem dobrou o preço,
melhor que isso não acho que conseguiria. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Ah, a
estação de trem! Eu não sei sobre os trens, mas a estação é bonitinha, causa
boa impressão. Limpinha. Piso de granito e mármore, placas em árabe e francês
ou inglês. Opa, vou de trem!&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Compro, por
97 dirhams (cerca de 10 euros), a passagem pra Fes no trem que sai às 11 da
manhã.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Leva cerca de 4 horas –
metade do tempo do ônibus, que pára em diversos lugares ao longo do caminho.
Peço ao sujeito que me vendeu a passagem um mapa e ele me dá uma tábua de
horários dos trens marroquinos. Em árabe. Sem muita utilidade pra mim, mas
agradeço de qualquer forma...&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Ainda tenho
duas horas de espera e vejo que a uns 300 metros tem um McDonald`s. Eu não gosto
de McDonald`s e evito a todo custo, mas por aqui acho que é minha melhor opção.
Além disso cheguei no mês do Ramadan – uma celebração religiosa em que os
muçulmanos, ou seja, praticamente todos os cidadãos do Marrocos, fazem jejum
durante o dia - e acho melhor me garantir, não sei o que vou encontrar pela
frente. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;9:45 -
McDonald’s &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Embora na
porta haja um sinal informando que o horário de abertura é às 10:00, o fato é
que no Ramadan abre às 10:30. Como eu não sabia fico na porta esperando,
esperando... quando dá 10 horas eu bato no vidro e então uma mocinha esclarece
que não vale o que está escrito. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Fico
esperando, pois estou morrendo de fome e na estação de trem e ao seu redor não
há absolutamente nada aberto pra um lanchinho. Nada. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;É
Ramadan...&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;11:00 – o
trem&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;O trem é
uma maravilha! Com o equivalente a apenas 5 euros faço um “upgrade” para a
primeira classe (que, entenda, não é como a primeira classe do resto do mundo
mas é suficientemente confortável) e durmo boa parte das 4 horas e 40 minutos
da viagem. A chegada em Fes é tranqüila e eu acho que já me acostumei com o
assédio dos guias turísticos e taxistas que querem me levar pra tudo que é
lugar por um pequeno punhado de dirhams. Vê? Sou facilmente adaptável! &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Cometi o
erro de não reservar hospedagem em Fes e... bem, não foi muito fácil. Saindo da
estação decido ir ao Albergue da Juventude, que é bem cotado pelos viajantes em
geral. Já negociava um táxi quando o motorista diz que o hostel é perto e eu posso
ir andando. Hãããããã???? Penso: “O queeeee???? Você não quer me extorquir mesmo
me vendo com essa cara de turista perdida e morrendo de calor, prestes a pagar
qualquer coisa pra chegar em algum lugar, tomar um banho frio e descansar???”.
Ele deve ler pensamentos, pois em seguida explica que sabe que o Brasil é um
país pobrezinho como o Marrocos e que os brasileiros não podem sair gastando
como os europeus. Que solidariedade!!!!! Gostei!! &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Seguindo o
conselho do primeiro (e talvez único) taxista honesto do Marrocos saio à caça
do Albergue. Não é assim tããão perto quanto ele havia dito, mas definitivamente
uma distância caminhável. Com a mochila parece que fica mais longe, claro.
Bagagem atrapalha tudo. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Pelo
caminho eu paro pra abrir meu livrinho com o endereço do hostel e sou abordada
por um marroquino curioso pra saber de onde sou. Respondo atenciosamente, ele
diz que tem umas amigas brasileiras no Facebook (vê? é por isso que eu não
aceito estranhos no Facebook) e me convida pra ficar na casa dele, conhecer a
mãe, faz uma auto-propaganda, começa a descrever seus bens... Hãããããã????????? &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;“- Não,
obrigada, eu vou pro hostel.” &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;“- Mas por
que, você é noiva? Faríamos um casal perfeito.” &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;(Whaaaaaaaaaaaat???????
Sou pára-raio de maluco ou o que??????) &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;“- Sim, sou
noiva.” &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;“- Você não
precisa mentir. O que é, não gostou de mim?” &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;“- Senhor,
veja bem, o senhor é um estranho. Preciso ir, tenho amigos me esperando.” &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;“- Então é
isso? Não vamos nos encontrar mais?? Nossas vidas se separar aqui?” &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;(Hããããã?????
Trinta segundos de conversa e ele já conseguiu soltar todas essas pérolas???)&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;“- Sim,
senhor, é isso mesmo, não vamos nos encontrar mais”, e atravesso a rua.&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Sujeito
doido! Mas é cedo demais pra cantar vitória e do outro lado da rua já sou
abordada por um outro homem que quer me ajudar a achar um hotel. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;“- Não,
obrigada, eu vou para o albergue da juventude.” &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;“- Mas você
pode ficar num hotel pelo mesmo preço do albergue, é mais cômodo.”&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;“- Eu
entendo, mas não quero. Vou para o albergue porque tenho amigos me esperando
lá, que já chegaram” (mentirinha para o bem não faz mal! Queria que pensassem que
eu não estou sozinha.)&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Diante da
insistência, despacho o sujeito com uma cara feia – já vi que o lance aqui é
não ser simpática com ninguém. Pra completar, o maluco que eu tinha despachado
antes reaparece pra verificar se eu me arrependi de tê-lo rejeitado – e eu tenho
que botá-lo pra correr. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Pelo
caminho &lt;i&gt;mais&lt;/i&gt; homens tentar me
conhecer, me ajudar, casar comigo... Mas teve um que de fato ajudou. Ele olha
pra minha cara, pra minha mochila e pergunta se estou procurando o albergue da
juventude. Me indica o caminho por uns dois quarteirões, andando à minha
frente, e me deixa na porta! E, surpreendentemente, &lt;i&gt;não&lt;/i&gt; se oferece pra ser meu guia nem tenta me extorquir!!! Apenas
deseja paz e se mand!!!!! Tô bege!!!! Sim, no Marrocos há muitas pessoas legais
que só quer te ajudar, você apenas tem que dar a sorte de encontrá-las. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Enfim, o
albergue é lindinho, adorei! Mas... eu não tenho reserva e está lotado!!! &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;Buáááá&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span&gt;... Calor. Fome. Saco cheio. Mala pesada. Quero
que o Marrocos congele, que as pessoas congelem de modo que eu possa largar
minha mochila bem aqui no meio da rua e sair andando por aí pra encontrar um
hotel, sem que ninguém tente conversar comigo pelo caminho, me ajudar, me
extorquir, casar comigo... e que quando eu voltar minha mala esteja do jeitinho
que eu tenha deixado. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Mas... ai,
não acredito... o Marrocos não congelou! Pelo contrário, está cada vez mais
calor! E a caminho do hotelzinho que o sujeito do albergue me indicou eu
encontro um dos caras que havia se oferecido pra me ajudar a achar um hotel. Dessa
vez aceito a indicação dele, até porque é a mesma que me deram no albergue.
Depois, obviamente, ele me oferece seus serviços de guia para o dia seguinte, o
que eu prontamente recuso. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Acho que
fiquei nesse “hotel” por pura falta de disposição pra buscar outro lugar...
Tudo bem que o Marrocos é barato, mas pense no que você pode esperar pelo
equivalente a 6 euros... exatamente, não muito. Mas decido que no dia seguinte
pela manhã me “mudo” para o Ibis, que custa dez vezes mais mas pelo menos tem
um padrão que a gente já conhece, é o mesmo em todos os lugares. O que eu
queria mesmo era ficar numa hospedaria típica, na Medina, talvez até em um &lt;i&gt;Riad&lt;/i&gt; na Medina, mas fui desaconselhada
por todos com quem conversei apenas porque estou sozinha e não seria seguro
estar fora por lá depois de um certo horário - bem cedo, por sinal. Me
arrependo um pouco de ter vindo para o Marrocos no “susto”, de ter decidido um
dia antes de fazê-lo. Se tivesse me preparado mais certamente poderia
aproveitar melhor a viagem. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Bom, vale
dizer que esse hotelzinho é feio mas o tiozinho que cuida é muito gente boa. À
noite ele bate na minha porta pra me oferecer um prato de comida do Ramadan,
pra eu provar a comida típica. Traz o prato prontinho, arrumadinho, me explica
o que é cada uma das coisas e eu fico sem graça de dizer que acabava de voltar
do McDonald’s (sim, a segunda vez no dia, é uma tristeza...) e aceito. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;O prato
contém uns frutinhos de uma árvore tipo uma palmeira, que em formato se parecem
com gomos de pinhões e eles os cozinham de uma forma que ficam extremamente
doces, quase caramelados; também muito doces são outras duas coisas que eu não
identifico – em forma se parecem com pele de frango frita, mas não tem nada de
frango ou qualquer outro animal, são feitas de uma massa doce, e; uma massinha
tipo panqueca, mas que não é uma panqueca - acho que é um pão e ele me explica que
também é feito em casa. Ah! E um ovo – que me chega morno mas eu não sei se é
cozido ou apenas aquecido. Enfim, eu não pretendo comer porque não estou com
fome nenhuma, mas por outro lado não quero insultar o senhor que foi tão
atencioso em me trazê-lo. Mais tarde coloco a comida num saco plástico, escondo
na mochila pra jogar em um lixo longe dali e devolvo o prato vazio no dia
seguinte... Mas tomo o leite!&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;A
propósito, a caminho do McDonald’s mais uns homenstentam conversar comigo – mas
agora eu só respondo &lt;i&gt;“no francê, no
inglê, no espanhol”&lt;/i&gt; e nem olho. O lance com os marroquinos é que eles são
muuuito insistentes, um sujeito até me seguiu com o carro!!!! Eu já estava com
a mão na minha “arma” (um apito) quando chego ao McDonald`s e ele desiste. Eu
já havia sido avisada de que eles são assim, insistentes, mas que são
respeitosos, mantém a distância e não te encostam. E, de fato, hoje pude
comprovar que era tudo verdade. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Ai, que eu
tenha paciência! Enshallah!&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;Fez, Marrocos, 10 de setembro de 2008&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Uau! Às
4:30 da madrugada as ruas se enchem de um som vindo da mesquita próxima, um
canto, um chamado. É Ramadan e os homens vão cedo rezar. Os muçulmanos têm que
comer antes do sol nascer e jejuam enquanto durar a luz do dia – não bebem nem
água. Gosto muito de estar aqui pra escutar isso, pra vivenciar o clima do
Ramadan. É realmente muito interessante e a gente acaba desfazendo muitos
preconceitos. Os muçulmanos aqui no Marrocos são super “da paz”, praticam sua
religião com dedicação e respeitam pessoas de outras religiões. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Enfim...
Acordo cedinho e me mudo pro Íbis. Aqui, como em todos os outros lugares em que
perguntei no Marrocos, eles não têm internet &lt;i&gt;wi-fi&lt;/i&gt;. Aliás, não têm internet nenhuma. Bom, pelo menos o
recepcionista daqui &lt;i&gt;sabe&lt;/i&gt; o que é
conexão &lt;i&gt;wi-fi &lt;/i&gt;– coisa que os sujeitos
que trabalham nas &lt;i&gt;lan houses&lt;/i&gt; não
sabem. Isso significa, portanto, que se eu quiser me comunicar com alguém terei
que encarar aquele teclado horroroso onde todas as letras e sinais estão fora do
lugar de costume. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;O meu dia é
bem mais tranqüilo hoje. Prendi o cabelo e o cobri com uma faixa, coloquei um
óculos de sol e passei a fingir que sou surda. Ando impassível enquanto os sujeitos
andam atrás de mim tentando palavras de cumprimento em francês, inglês,
espanhol, alemão, italiano, árabe... Não me dou nem mais ao trabalho de dizer
que não falo as línguas, simplesmente banco o “vaso” e finjo que não tem nada
acontecendo. A maioria desiste. Aos mais insistentes, que me seguem por mais
tempo, eu digo “&lt;i&gt;dejáme sola, dejáme sola,
leave me alone&lt;/i&gt;”. Diante dessa reação eles retrucam que é perigoso uma
garota sozinha, blábláblá, que eu preciso de um guia, que a Medina é um
labirinto, blábláblá... E eu continuo sem olhar pro lado ou pra trás. Paro pra
olhar alguma vitrine como se eles não estivessem por perto. A certa altura
esses também acabavam desistindo, irritados. Eu realmente não me sinto bem
sendo “&lt;i&gt;marcriada&lt;/i&gt;”, mas aqui foi a
solução mais eficaz que encontrei, pois pedir com educação não funciona. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Caminho
muuuuito durante o dia e passo um calorão. Vou à Medina, que de fato é um
grande labirinto. A cada dois passos tem um homem no meu pé – ai, que saco!
Continuo com a tática do “sou surda e não estou te vendo”, mas não dá pra negar
que todo esse assédio é irritante. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;A Medina,
que é a cidade antiga, murada, é fascinante. Lá dentro tem de tudo – gente que
mora,&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;artesãos em plena atividade,
lojinhas, mulas, mercado de carne, frutas, crianças correndo, pedintes... &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Chego em
frente a um palácio lindo, logo na entrada, e faço diversas fotos. Logo aparece
um homem fardado que, em árabe, me dá uma bronca (certo, eu não entendo nada
mas pelo tom dá pra perceber que não é coisa boa). Ele me faz apagar todas as
fotos que fiz daquela parte e eu não entendo por que. &lt;span&gt; &lt;/span&gt;Nem adianta tentar.&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Passeando por
uma parte onde há casas – onde pessoas moram, parece uma favela – vejo essa garotinha
de 5 ou 6 anos que brinca sozinha, me dá um enorme sorriso e diz “&lt;i&gt;bon jour&lt;/i&gt;”. Caramba, que vontade de saber
falar bem francês pra poder conversar com essa criaturinha fofa e
simpaticíssima!&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Mas tudo o que eu
posso responder é “bon jour” e sorrir de volta. Sempre sorrindo, ela pergunta
se estou bem, respondo que sim, pergunto dela e... acaba meu vocabulário. Aulas
de francês definitivamente entram pra agenda.&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Quando as
bolhas nos pés começam a me incomodar muito, machucar mesmo, volto para o
hotel. Mais assédio pelo caminho, pedidos de casamento, sujeitos se oferecendo
como guias, eu fazendo de surda-muda-mal-humorada... Tudo isso faz com que eu
tenha a melhor sensação do dia ao tomar um banho frio e ficar sozinha no
quarto, de shorts e blusa de alcinha, com meus pés e suas bolhas pra cima! &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Havia
considerado chegar a Marrakech mas decidi não fazê-lo. Está muito longe e eu não
tenho tempo, tenho data pra chegar na Grécia e antes disso ainda quero passar
por uns lugares na Europa oriental. Sendo assim, amanhã encaro o trem, a balsa
de volta pra Espanha e levo as mais diversas e controvertidas impressões desse
país tão fascinante. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
      <link>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/23473/Morocco/Pelos-caminhos-da-Medina</link>
      <category>Travel</category>
      <category>Morocco</category>
      <author>lina_santiago</author>
      <comments>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/23473/Morocco/Pelos-caminhos-da-Medina#comments</comments>
      <guid isPermaLink="true">https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/23473/Morocco/Pelos-caminhos-da-Medina</guid>
      <pubDate>Wed, 10 Sep 2008 20:56:00 GMT</pubDate>
      <slash:comments>1</slash:comments>
    </item>
    <item>
      <title>Pra refletir</title>
      <description>Hoje eu vi coisas que me chocaram muito.

Aqui em Dubrovnik está acontecendo uma mostra fotográfica chamada “Child Soldier” (Criança Soldado), com imagens feitas por Jan Grarup, Yannis Kontos, Alixandra Fazzina, Noël Quidu e Franco Pagetti. 
As imagens mostram dezenas de crianças e adolescentes na guerra em Serra Leoa, Nepal, Uganda, Congo, Libéria e Palestina. Brincando, lutando ou morrendo. Ou mortas. Estamos cansados de ver cenas assim na TV e mesmo na mídia escrita, mas acho que nunca nos demos conta da gravidade do problema - o que eu, particularmente, entendo como outro problema. A forma passiva como convivemos com absurdos me deixa por vezes sem esperanças. O pior pra mim foi perceber que muitas daquelas fotos poderiam ter sido feitas no Rio de Janeiro ou em São Paulo, pois nós infelizmente temos nossos soldados–mirins na guerra, na maldita guerra urbana, na guerra do tráfico. E eles, assim como os meninos das imagens dos fotógrafos famosos, são forçados a fazer coisas horríveis, são drogados, matam muito e morrem jovens. E se chegam à idade adulta apenas perpetram o terror com que sempre foram tratados, assim é a vida. 

Muitas dessas crianças são arrancadas de suas famílias de maneira violenta e brutal e obrigadas a se juntar às guerrilhas que, em nome de uma suposta “paz” ou “causa”, matam e aterrorizam. Ao custo de espancamentos, torturas e abusos sexuais essas crianças aprendem o que é “certo” fazer na guerra. Fiquei sabendo que muitas dessas crianças são obrigadas a cometer atos bárbaros, como assassinar ou violentar entes da família ou da comunidade em que viviam, pois dessa forma não ousarão escapar dos seus agressores para voltar pra casa, estarão muito assustados ou envergonhados. 

Envergonhada estou eu por me dar conta que isso acontece e eu não faço nada... Gente, são apenas CRIANÇAS!!!!!!!!

Hoje aprendi que uma das “brincadeiras” que eles fazem em guerras na África, apenas pra passar o tempo, consiste e tentar adivinhar o sexo do bebê que uma grávida espera. Apostas feitas, eles vão conferir o resultado com uma faca, abrindo a barriga da mulher. 

A brutalidade é algo tão trivial para essas crianças que eles nem se dão conta do que isso significa. E nós, por outro lado, assistimos a tudo calados, como se isso não estivesse acontecendo no nosso planeta. Afinal, enquanto está longe geograficamente não é problema nosso, né?

Poxa, galera, chegou a hora de examinar a questão com um pouco mais de espírito coletivo. Olhar pro resto do mundo, pra saber o que está acontecendo, e tentar evitar novas tragédias. Impedir que a situação em nosso país chegue ao mesmo ponto e dar nossa contribuição para que essas barbaridades parem de acontecer no resto do mundo, também. 

Para quem quiser conhecer algumas das imagens que estão ocupando todo o meu pensamento desde a tarde de hoje, vale conhecer o site www.warphotoltd.com. Ele não mostra as imagens mais chocantes mas dá o que refletir... 

Pense nisso. 

</description>
      <link>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/25370/Croatia/Pra-refletir</link>
      <category>Travel</category>
      <category>Croatia</category>
      <author>lina_santiago</author>
      <comments>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/25370/Croatia/Pra-refletir#comments</comments>
      <guid isPermaLink="true">https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/25370/Croatia/Pra-refletir</guid>
      <pubDate>Sat, 23 Aug 2008 21:39:00 GMT</pubDate>
      <slash:comments>0</slash:comments>
    </item>
    <item>
      <title>Descendo a costa da Croácia</title>
      <description>Bom, depois de ter respondido a um anúncio pregado no Hostel de Bern de alguém procurando travel buddies pra uma viagem de carro e conhecido os “aventureiros” pessoalmente, me juntei ao grupo pra uma trip pela costa da Croácia. 

Voltei pra Bern no domingo (10.08), na segunda (11.08) aproveitamos o dia pra fazer compras e na terça de manhã partimos. Deixei minha mochila-master na casa da tia-avó de Chris, nosso motorista e dono do carro, e tive que realmente praticar meu “poder de síntese” de modo que tudo o que eu precisasse durante duas semanas coubesse dentro de uma mochilinha dessas normais. Afinal, a viagem seria num esquema super roots e o carro estaria cheio de apetrechos (colchão, barraca, comida, fogão de acampamento, etc), além das mochilas dos meus dois travel buddies – Christian e Mark, ambos australianos. Chris, na verdade, é Suíço – pai e mãe suíços e nasceu em Bern - mas se mudou pra Austrália pequeno e, embora possua dupla cidadania, se considera australiano. Posso dizer que meu poder de síntese foi tão fantástico que minha mochila está até menor que a dos meninos!


Terça, 12.08.2008

U-hu, tudo pronto, partimos! Sob uma chuva horrorosa, mas partimos, em busca do sol da Croácia! Nosso roteiro, saindo de Bern, passará pela Áustria e Eslovênia. O banco traseiro foi parcialmente desmontado para que tudo coubesse dentro do automóvel e, à noite, tudo pudesse ser acomodado de forma que Chris consiga abrir o colchão e dormir dentro do carro. Ou seja, há assento para apenas uma pessoa atrás, ao lado das panelas e da caixa com a comida. Eu e Mark nos revezamos no banco da frente – cada dia um, e quem estiver na frente terá que ler os mapas e guiar o motorista. 

Nosso grupo é bem poliglota. Nós todos falamos ingles, Chris fala alemão e suíço-alemão, eu falo português e espanhol - e, embora não fale, entendo um pouco de italiano e francês - e Mark fala um pouco de japonês. Bom, o japonês não está sendo muito útil pra gente mas nunca de sabe, né? 

Depois de algumas muitas horas de estrada paramos em Innsbruck, na Áustria. A cidadezinha é linda e o centro de acampamento foi OK. Foi muito chato que choveu à noite – e a chuva batendo na barraca atrapalha bastante pra dormir, especialmente se você considerar que já há uma certa dificuldade de dormir sem colchão, com apenas o saco de dormir e o isolante da barraca entre seu corpo e a grama – mas achei tranqüilo. Mais tranquilo ainda foi o preço pela hospedagem: 8 euros pra cada um! Fala sério, gente, nesse esquema eu conseguiria dar 3 voltas ao mundo!!!!!

A cada dia me surpreendo mais com minha capacidade de adaptação! Eu achava fantástico conseguir transitar naturalmente de hostels (albergues) a resorts 5 estrelas, conheço poucas pessoas que conseguem, mas agora realmente me superei. Transitar com naturalidade do CAMPING a um resort 5 estrelas (e ainda por cima achar tudo super legal, do zero ao 100, e encarar as dificuldades com bom humor) é mesmo uma habilidade incrível que eu tenho! Taí, quando as pessoas pedem pra você citar uma qualidade sua eu sempre vou lembrar dessa. Eu só consegui pensar em UMA pessoa que levaria isso tão na esportiva quanto eu: Clau Terrafino, claro! Depois de nossa “saga-perrengue” pelo Maranhão em 2006 eu tenho certeza que ela encara qualquer parada! 


Quarta, 13.08.2008

Resolvemos alterar um pouco o roteiro por uma questão de custo. Mark está viajando num orçamento beeeeeem apertado e o grupo todo tem que cooperar e entrar no mesmo esquema. Assim, para evitar pagar 35 euros por um selo (obrigatório) que nos permitiria transitar pela Eslovênia decidimos fazer o caminho pela Itália. Era meu dia de ser o GPS do grupo e, em algum momento, na tentativa de fazer um “atalho”, eu acabei nos tirando da auto-estrada e nos colocando numa estrada local, de muitas curvas e velocidade bem mais baixa, mas de paisagens lindas. Isso acabou atrasando a viagem um pouco, mas passamos por vilinhas muito belas e no final das contas valeu a pena!!! Acampamos numa cidadezinha de montanha chamada Forni di Sopra, num centro de camping cuja grama era bem mais macia pra montar a barraca. Como nada é assim tão perfeito, logo percebemos que a noite não seria fácil, pois estava frio. 
Vocês devem se lembrar que eu estou perseguindo o verão, portanto minha mochila-master já não tem muita coisa pra tempo frio... imagine minha mochila-síntese, então! Seja como for, depois do banho (quente, ufa!) por um milagre acabei dormindo super bem e não tive frio – santo saco de dormir! E de novo choveu a noite toda...  


Quinta, 14.08.2008

O dia amanheceu nublado mas – U-hu, otimismo, vamos atrás do sol!!!!! Estava indo tudo super bem até chegarmos em Trieste, última cidade na Itália, e descobrirmos que todo nosso longo desvio não havia servido pra nada: simplesmente não há um caminho para a Croácia que não passe pela Eslovênia!!! Havíamos sacado em Euros apenas o suficiente para nossa passagem pela Áustria e Itália, no local da parada em Trieste não havia caixas eletrônicos e o tal selo só poderia ser pago em dinheiro! Sem muita escolha, tivemos que nos juntar e contar as moedinhas de Euro pra comprar o selo que, pregado no pára-brisas do carro, nos garantiria o direito de transitar pela Eslovênia por 6 meses. Porra, 6 meses?????? Quem precisa de 6 meses? Queremos só atravessar rapidinho! Bom, mas a Eslovênia é assim mesmo, pessoal, não tem o que fazer... U-hu, otimismo, galera, vamos lá, parece que o sol está saindo!!!!

Animadíssimos, cruzamos a fronteira da Eslovênia e paramos em uma barraquinha na estrada pra um lanchinho - na esperança de que eles aceitassem cartão de crédito, claro, pois não tiramos dinheiro local. Pela Lei de Murphy vocês já podem concluir que eles não aceitavam cartão, mas... aceitavam Euros! Ai, que bom! Aliás, qual era o maldito guia supostamente atualizado em 2008 que dizia que a Eslovênia ainda não utiliza a porra do Euro??? Pois essa é, sim, a moeda oficial da Eslovênia, pombas!!!!! Aliás, segundo o rapaz da barraca de lanches (que tinha as pontas dos dedos e as unhas pretas, mas vamos deixar esse detalhe pra lá) a Eslovênia já usa o Euro como moeda oficial há dois anos! 

Mais uma vez contando as moedinhas (dessa vez os centavinhos, afundando a mão nos bolsos, procurando pelo chão do carro...) conseguimos comer um sanduichinho cada um. O sujeito das unhas sujinhas que trabalhava na barraca orgulhosamente disse que era fã de Ayrton Senna e Felipe Massa, mas por mais que eu tenha tentado isso não nos garantiu um descontinho especial nos sandubas, de modo que com as moedinhas encontradas não conseguirmos beber nada. Sabe como é, negócios são negócios no mundo todo e ninguém dá desconto só porque você é muuuuuuuuito legal e nasceu no mesmo país de uns camaradas que você admira pela TV! Resultado: sobrei com apenas 7 centavos de Euro e sem refrigerante, água ou qualquer coisa líquida pra ajudar o sanduba a descer.  

Mas... OK, U-HUUU, saímos da Eslovênia, agora vamos entrar na Croácia! 

U-hu, está um sol lindo!!!! Praia, praia, praia! 

Mas… Quando entregava os passaportes, Chris perguntou se deveria reportar um dano no carro – ele havia lido (naquele mesmo guia que dizia que a Eslovênia ainda não usa o Euro) que é preciso reportar qualquer amassadinho no carro quando se entra na Croácia, ou na saída você pode ter problemas, pois eles podem achar que você bateu dentro da Croácia e não vão querer que escape sem pagar os danos. 

Hum... a comunicação em inglês não pareceu muito efetiva em princípio, mas nos mandaram encostar o carro e sair (enquanto todos os demais carros passavam sem problemas). Certo, deve ser pra fazer um relatório do amassado. Mas… logo apareceu uma policial muito simpática, que se identificou como da polícia criminal, acompanhada de um guarda. 

Hummm… polícia criminal pra uns amassados no veículo?? 

Enfim, foram super educados, nos trataram super bem e nos levaram pra uma salinha. Ela explicou sobre a política anti-drogas na Croácia e, isso dito, falou que se confessássemos que trazíamos drogas (!!!!!) tudo seria resolvido em 20 minutos e ninguém teria problemas. Por outro lado, se negássemos e eles encontrassem qualquer coisa na minuciosa busca que fariam pelo carro e por nossas malas - com cães farejadores - poderíamos ser presos por 10 dias a 3 meses, estaríamos sujeitos a multa de 3.000 euros e não poderíamos entrar na Croácia por 2 anos! Além disso nossas embaixadas seriam avisadas e seríamos deportados (!!!!!!). 

Rapaz, por essa eu não esperava!!!! 

Considerando que eu ia viajar com estranhos, esse foi um ponto que eu discuti séria, direta e abertamente com meus travel buddies ANTES da viagem – pois a última coisa que quero é me envolver nesse tipo de confusão! 

A “autoridade” usou vários artifícios pra obter nossa “confissão” e, dentre outras coisas, disse dispunha de testes que mostrariam se tínhamos usado drogas num período de não-sei-quanto-tempo. “E então, o que vocês estão trazendo? Cocaína, haxixe?” (!!!!) Diante das nossas negativas ela respondia que não acreditava. “Posso segurar vocês por até 6 horas aqui nessa sala, e se o cachorro farejador blablabla...”
De saco cheio, Mark diz “ok, se não acredita na gente faça logo esses testes, essa busca no carro, bote esses cachorros pra trabalhar que assim podemos ir embora mais rápido”. 

Tensão na sala. Kate Marrone da Croácia nos encara um a um. Aí… sorri e diz “ok, eu acredito em vocês. Não vamos fazer busca nenhuma no carro nem aplicar testes de drogas em vocês. Desculpe, mas esse é apenas o meu trabalho. Boa viagem e aproveitem a Croácia.” 

Acabou?!??

A sensação foi como se alguém tivesse dito “aaaaaaah, pegadinhaaaaa!!!” e tivesse mostrado onde estava a câmera escondida. Saímos de lá rindo, mas... Sei lá, a gente ouve tantas histórias... Se isso tivesse acontecido na Bolívia, Colômbia ou mesmo Brasil... acho que mesmo não levando droga nenhuma não conseguiríamos ir embora sem deixar uma “cervejinha” pras “autoridades”. Além disso, ok, eu tinha perguntado pros meus buddies e eles juraram de pé junto que não rolariam drogas, mas... E se tivessem  mentido??? Bom, de qualquer forma, o fato é que não mentiram, eu estou na Croácia e não na América do Sul, e tudo deu certo.   

Com isso chegamos ao nosso primeiro destino na Croácia, uma cidade litorânea chamada Pula, na região de Istria. Mar Adriático. Ai, que sol lindo, que água linda, que lugar maravilhoso! Gente, eu tinha tããããão uma outra idéia da Croácia!!! O fato é que eu estava completamente equivocada! 

Bom, tudo em Pula é lindo mas há duas ressalvas: as praias não são de areia, e sim de pedras. Todo mundo anda na praia com sapatinhos (desses tipo pra hidroginástica) pra evitar machucar os pés. A segunda ressalva é que a água é in-fes-ta-da de ouriços-do-mar desde a beirinha, são tantos que até de fora da água dá pra vê-los. Mais uma boa razão pra ir à praia com os sapatinhos de palhaço.   

A região é muito frequentada pelos europeus em geral, mas especialmente pelos italianos. De fato, italiano é uma “segunda língua” na Croácia, a maioria das pessoas fala ou pelo menos tem noções de italiano. Muitos sinais estão em croata e italiano, e portanto minhas parcas noções da língua estão sendo de grande valia por aqui. 

Estamos nos revezando pra cozinhar e lavar a louça do jantar. Hoje pela primeira vez foi meu dia de cozinhar... Embora eu tenha tido uns pequenos incidentes (contornáveis) com os ovos, o meu macarrão por sorte deu certo e ficou até bem gostoso.  Não tive a mesma sorte com o banho... Mark tomou banho cedo e a água estava quentíssima, mas eu e Chris deixamos pra mais tarde e acabamos com água gelada! Bom, eu não liguei muito porque gosto de água gelada no calor, mas Chris voltou reclamando - ainda mais porque viu uns adolescentes lavando louças com a torneira quente a todo vapor um pouco antes. 

Meus travel buddies dizem que estão gostando de uma garota no grupo pois eu imponho uma certa “organização” e níveis mínimos de higiene. Eles disseram, por exemplo, que se eu não tivesse tido a “brilhante” idéia de colocar o queijo dentro de um “tapauer” que vagava vazio pelo veículo eles provavelmente ainda o estariam levando jogado em algum canto do carro ou, quem sabe, no bolso. O uso correto de um canivete suíço pra abrir latas também parece ter sido uma grande novidade na vida desses moços: eles até usavam a ferramente certa, mas da forma errada, o que fazia a lata ficar completamente desfigurada (e a comida dentro, idem).  


Sexta, 15.08.2008

Hoje não foi exatamente um bom dia... 
A chuva está nos perseguindo!!!!! Na madrugada começou a chover muuuuito e continua garoando. Não rola praia. 

Além disso, Chris está muito mal de gripe, mal consegue abrir os olhos. Estamos estagnados nesse camping chuvoso de Pula porque ele não vi conseguir dirigir hoje. 


Sábado, 16.08.2008

Pára tudo, não parou de chover ainda!!! 
Ontem à noite acabou a luz no camping – por sorte eu já tinha tomado banho. Mais uma noite com chuva na barraca... Certo, eu continuo levando tudo numa boa mas a verdade é que quase não me divirto na chuva. Se não estivesse chovendo eu estaria muito mais feliz. 

Bastou desarmarmos a barraca (na chuva) e guardarmos as coisas (molhadas) no carro para a chuva diminuir. Quando estávamos na recepção do camping, pagando, ela já havia parado. Fomos embora, em busca do sol, e logo descobrimos um dos maiores problemas da Croácia (na minha opinião): o trânsito!!!!! Me senti viajando pro litoral norte de São Paulo num feriado prolongado em pleno verão! 

Sendo meu dia de GPS, optei por guiar o grupo por uma estrada que não ia pela costa, ao menos até chegarmos em Rijeka, nossa próxima parada. E não é que funcionou?? 

Como Rijeka nos pareceu uma cidade sem nenhum charme especial, continuamos em frente até encontrarmos um lugar simpático pra montar acampamento. Encontramos um camping em.... Bom, não lembro o nome do lugar, mas ficava bem na costa em frente a uma praia linda! Excelente! As “facilities” (banheiros e chuveiros) não eram lá essas coisas, mas... Por 8 euros por pessoa não dá nem pra reclamar. E o principal: não há nuvens no céu!

E... Ei, o que é aquilo ali?? Presente dos céus??? Lua cheia! Mas... Ei, peraí... Tô vesga ou... Sim, é sim! Aquilo é um ECLIPSE lunar!!!! O primeiro que me lembro de ter visto na vida! Amei, amei, amei! Como não tenho conseguido usar a internet, não tenho lido notícias (não consigo ler os jornais locais, estão em croata) e não sabia do eclipse, o que tornou a surpresa ainda mais especial! 

Estou adorando a Croácia! 


Domingo, 17.08.2008

Que dia lindo, que dia lindo, que dia lindo!!!! A Croácia com sol é deslumbrante!!!!!!! E olha que dormir e acordar ao lado do mar só nos custou 8 euros por pessoa! 

Aproveitamos o “camping site”, ou melhor, a maravilhosa praia do camping, por toda a manhã. Só não foi perfeito porque praia de pedra não é praia de verdade, né? Ok, só pra deixar claro que as NOSSAS praias no Brasil são pelo menos tão lindas quanto as croatas! 

À tarde continuamos descendo a costa, rumo ao sul, e quando Chris ficou cansado de dirigir paramos em uma dessas casinhas que alugam quartos, tipo pousadinhas. É algo realmente grande na Croácia, isso! A cada 20m tem um anúncio (em alemão, italiano, croata e inglês) de alguém que aluga quartos. A comunicação com a senhorinha não foi fácil, mas ao final o resultado: por 12 euros cada teríamos um quarto DE VERDADE, com uma cama DE VERDADE, um banheiro de gente e um chuveiro quente. O pobretão-mor do grupo votou contra (ele insistia em acampar) mas foi voto vencido. Yes! 


</description>
      <link>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/26171/Croatia/Descendo-a-costa-da-Crocia</link>
      <category>Travel</category>
      <category>Croatia</category>
      <author>lina_santiago</author>
      <comments>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/26171/Croatia/Descendo-a-costa-da-Crocia#comments</comments>
      <guid isPermaLink="true">https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/26171/Croatia/Descendo-a-costa-da-Crocia</guid>
      <pubDate>Mon, 18 Aug 2008 18:04:00 GMT</pubDate>
      <slash:comments>2</slash:comments>
    </item>
    <item>
      <title>Lyon, a cidade medieval</title>
      <description>
Cheguei em Lyon no TGV vindo de Paris. Impressionante a velocidade do trem e quão “macia” é a viagem. Parecia que estava voando – e sem turbulências. Em pouco mais de 2 horas percorri os mais de 400 quilômetros que ligam as duas cidades. 

Como já era tarde e eu estava super cansada, considerei pegar um táxi da estação de trem até o hostel, o que me custaria cerca de 20 euros. Indo de metrô, gastaria 1,60.  Pensei melhor e considerando que ainda estou no começo do meu “ano sabático”, melhor não esbanjar. Vinte aqui, dez ali, doze mais adiante e quando a gente vê já gastou os tubos!!!!

O hostel em Lyon ficava na parte alta da cidade, era super bem localizado e com uma área externa fantástica nos fundos, de onde se tem uma vista linda de Lyon.  Para completar o quadro é só passar no mercado, comprar uns pãezinhos, queijinhos e vinho e pronto, programa pra noite toda. 

Aliás, em uma das noites eu passava por essa área externa do hostel (meu quarto ficava do lado de fora) e ouvi um trio batendo um papo super interessante sobre política e culturas do mundo e acabei me convidando pra sentar com eles.  Era um senhor americano, engenheiro, uma garota chinesa, química, e um holandês, cuja profissão eu não lembro mais. Pessoas super bem informadas e inteligentes. Todo o papo foi muito legal, mas foi especialmente muito interessante ouvir um pouco sobre a China pela percepção de uma chinesa que vive lá. Não encontro muitos chineses viajando pelo mundo e é sempre interessante aproveitar a oportunidade ao conhecer um, especialmente quando seu inglês permite uma conversa fluente. Percebo que os povos do oriente de uma forma geral têm bastante dificuldade em falar inglês e admiro muito seus esforços. Os sons da língua inglesa são muito difíceis de pronunciar pra quem cresceu com uma língua de fonética completamente distinta. As diferenças na estrutura gramatical também não facilitam... 

A cada dia tenho aprendido mais e mais coisas que me convencem que, de uma vez por todas, temos que nos livrar de paradigmas e preconceitos e aceitar que a realidade tem, sim, muitas verdades. Tudo depende do ponto de vista utilizado. 

Bom, mas seguindo... Assim como em Paris, em Lyon há um esquema de bicicletas públicas. Você passa o seu cartão de crédito como garantia e pega uma bicicleta numa das várias locações em que elas ficam, espalhadas pela cidade. Você pode deixar a bici em qualquer outro ponto da cidade, não necessariamente no local que a retirou – ou seja, é para locomoção, mesmo. O preço por hora/ dia é super baixo, algo que vale mesmo a pena e estimula o uso. Infelizmente todos os cartões de crédito que eu trouxe para essa viagem são pré-históricos – ou pelo menos anteriores ao famoso “smart chip” – e por isso a máquina não me aceitou. Que frustração!

Enfim, de bicicleta ou a pé, o fato é que a cidade de Lyon é conhecida por sua arquitetura medieval. Na parte antiga da cidade, principalmente, onde tudo é muito voltado para o turismo, há lojinhas com temas e artigos “medievais”: armaduras, desenhos de cavaleiros e coisas afins. Uma infinidade de inutilidades turísticas para as quais há sempre um interessado. Mas desconsiderando essa parte e concentrando apenas nos prédios... a mente vai longe! Volta centenas de anos no tempo, tenta imaginar o que deve ter sido aquilo, como deve ter sido, como deveriam ser as milhares de pessoas que andaram vivendo por lá nos últimos séculos, os problemas que enfrentavam, como lidavam com as doenças, as guerras. E eu tenho uma imaginação muito fértil, eu sou capaz de ficar hooooooooras na frente de um desses prédios só olhando pras paredes e fantasiando. 

Taí, isso é algo que a Europa, mais que qualquer outro lugar em que eu já estive, nos proporciona: aqui é o lugar pra soltar a mente. Dá vontade de ler, ler, ler, ler muito sobre tudo o que já aconteceu por aqui pra dar ainda mais asas à imaginação. 

E assim eu vou seguindo por aqui... lendo, vendo e pensando. 


</description>
      <link>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/24707/France/Lyon-a-cidade-medieval</link>
      <category>Travel</category>
      <category>France</category>
      <author>lina_santiago</author>
      <comments>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/24707/France/Lyon-a-cidade-medieval#comments</comments>
      <guid isPermaLink="true">https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/24707/France/Lyon-a-cidade-medieval</guid>
      <pubDate>Sat, 2 Aug 2008 18:14:00 GMT</pubDate>
      <slash:comments>0</slash:comments>
    </item>
    <item>
      <title>Gallery: France</title>
      <description />
      <link>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/photos/12172/France/France</link>
      <category>Travel</category>
      <category>France</category>
      <author>lina_santiago</author>
      <comments>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/photos/12172/France/France#comments</comments>
      <guid isPermaLink="true">https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/photos/12172/France/France</guid>
      <pubDate>Sat, 26 Jul 2008 20:03:00 GMT</pubDate>
      <slash:comments>0</slash:comments>
    </item>
    <item>
      <title>Ah, Paris...</title>
      <description>&lt;p&gt;&lt;img src="https://s3.amazonaws.com/aphs.worldnomads.com/lina_santiago/12172/IMG_6292.jpg"  alt="É ela!!!! A TORRE EIFFEL!" /&gt;&lt;/p&gt;



&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Ah,
Paris...&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Depois de
perder meu vôo e amargar quase 5 horas de espera pelo vôo seguinte no aeroporto
de New York, finalmente consegui pegar o avião pra Paris.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Ah, Paris... Ou, como dizem os
parisienses... Ah, Parriiiiiiiii....&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Cheguei
numa terça-feira por volta das 11 da manhã. Depois de um trem e duas baldeações
no metrô, de ser atropelada por multidões de franceses mau-humorados e de colocar meus pobres músculos à prova pra subir as escadas das estações com a
mochila-rolante (porra, cadê os elevadores??? Será que não tem deficiente
físico em Paris, não?????), finalmente cheguei à casa de Ricardo, meu “point”
em Paris. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Umas
voltinhas pela região de Saint Germain de Prés, onde fica o studio de meu &lt;span&gt;host&lt;/span&gt;, um &lt;i&gt;crêpe&lt;/i&gt; pra matar a fome e...gastei
o dia dormindo. Sim, eu sei que todo mundo acha que não se pode dormir quando se
está em Paris! Entretanto, a diferença de horário de New York pra Paris é de
nada menos que 6 horas e eu havia virado a noite acordada em vôo. Preciso comer
e dormir bem pra não ficar doente! Parece que eu estou perdendo um dia
dormindo, mas a verdade é que estou refazendo as energias pra depois não perder
nenhum dia doente.&lt;span&gt;   &lt;/span&gt;&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Às 8 da
noite, quando meu amigo chegou do trabalho, finalmente acordei e saímos pra minha
primeira noite parisiense, que não poderia ter sido mais “francesa” e perfeita:
fomos comer crepe no grego (delícia!) e de lá, armados com duas garrafas de
vinho tinto e uma canga, sentamos em Champs de Mars, sob a torre Eiffel, e por
lá ficamos horas botando os assuntos em dia, falando mal dos franceses, falando
da vida... De hora em hora a torre, que atualmente está iluminada de azul em
homenagem à União Européia, piscava como se estivesse coberta com milhares de estrelinhas. Ao final já havíamos matado as duas garrafas de vinho e, sim, pode
ser que o efeito do fermentado tenha ajudado a multiplicar bastante o número de
estrelinhas – e também o número de torres Eiffel, já que eu pensava que só
houvesse uma em Paris mas eu &lt;b&gt;juro&lt;/b&gt;
que vi um monte delas, todas juntinhas dançando can-can!&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Andar por
Paris no verão é delicioso. Eu já havia estado em Paris na primavera de 2000 - e
passei um frio danado!- mas no verão a cidade parece ganhar mais vida, é fascinante.
Caminhei pelos locais onde havia estado 8 anos antes e parecia estar andando
por uma nova cidade. Eu me lembrava bastante das atrações de Paris, mas
sinceramente não me recordava de onde as coisas estavam localizadas, o que era perto
do que...&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Jardins de
Luxemburgo, Panthéon, Notre Dame, Louvre, Champs Elisées, Arco do Triunfo... Revisitei
todos esses lugares e senti o mesmo arrepio de quando os vi pela primeira vez.
A beleza da cidade é mesmo incomparável e olhar as construções me faz lembrar
de todas as aulas de História no colégio. Imagino as pessoas circulando com
roupas de época (sem efeito de vinho dessa vez, gente!), imagino comércio,
imagino a vida. O studio onde fui &amp;quot;acolhida&amp;quot;, mesmo, é uma construção do século
17 numa rua lindíssima e super do jeito que a gente vê nos filmes que tentam
retratar os séculos passados na Europa. Assim que entrei no prédio, subindo as
escadinhas estreitas, de madeira, já comecei a “viajar”... tantas pessoas já
devem ter vivido ali, como será que era??? Como eram essas pessoas? Que tipo de
gente viveu ali? &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Em um dos
dias que se seguiram apareceu Loli, uma amiga de Ricardo, brasileira, que
estava viajando pela Europa. Vinha de Amsterdam e teve que ser realocada na
casa de um outro brasileiro super gente-fina, pois o “albergue” do Ricardo já
estava ocupado... por mim... Mas passamos o dia juntas e fizemos o programa mais improvável
pra um turista: fomos a Paris-Plage, uma praia artificial que a prefeitura
monta no verão à beira do Rio Sena. Certo, programinha nada cultural, mas a
bizarrice foi divertida. A “praia” é ridícula, mas confesso que ainda mais
ridícula era a nossa dúvida antes de vê-la: será que pode entrar no Rio
Sena????? As pessoas de biquíni (inclusive nós duas), a areia de
mentirinha... Só faltou a farofa. E ainda fomos abordadas por uns tipos que
estavam fazendo um vídeo para o casamento de Ben e Sarah (quem?????) e na maior
boa vontade encenamos uma historinha pra galera (em inglês, claro, pois nosso
francês não é muito digno de aplausos). E depois desejamos felicidades para os
noivos – em português, pobres Ben e Sarah, não vão entender nadinha do que as
maluquetes estavam dizendo!&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Loli voltou
pro Brasil no dia seguinte e eu acabei ficando. À noite, queijo e vinho à beira
do Rio Sena com Marcelo, Ricardo e Fabíola, a próxima hóspede. Por fim,
outro programa delicioso: piquenique nos Jardins de Luxemburgo em uma tarde
quente e ensolarada!!! Cara, que demais!!! Não temos o costume de aproveitar
espaços públicos no Brasil, o que é uma grande bobagem. Esse tipo de programa é
uma maravilha, baixo custo e alta diversão!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Bom, e
agora cá estou dentro de um TGV, um trem de alta velocidade, a caminho de Lyon.
Aliás, quase perco o trem também... ando calculando mal as distâncias e
tempos... mal entrei e o bichinho saiu, não deu tempo nem de guardar a mala!&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Resumo de
Paris: cidade linda, queijos e vinhos deliciosos e baratinhos, companhias e programas divertidos e perfeitos.  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
      <link>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/21969/France/Ah-Paris</link>
      <category>Travel</category>
      <category>France</category>
      <author>lina_santiago</author>
      <comments>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/21969/France/Ah-Paris#comments</comments>
      <guid isPermaLink="true">https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/21969/France/Ah-Paris</guid>
      <pubDate>Sat, 26 Jul 2008 19:33:00 GMT</pubDate>
      <slash:comments>1</slash:comments>
    </item>
    <item>
      <title>Acidente</title>
      <description>&lt;font size="5"&gt;&lt;font face="Times New Roman"&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;Ontem eu tive um pequeno “acidente” aqui em Montreal que me deixou um enorme galo na testa, uns hematomas, o nariz inchado e dolorido e uma casquinha. Foi tudo tão inusitado... era um lindo dia de verão em Montreal, desses bem quentes e ensolarados, e eu caminhava alegremente pela Rue Saint Catherine, quase tão saltitante quanto uma gazela. Foi quando passaram dois sujeitos no sentido contrário, discutindo, e eu virei pra observar. E continuei andando, em ritmo firme, e olhando a discussão lá atrás. Pois bem, quando virei a cabeça de volta pra frente uma árvore apareceu do nada e inadvertidamente atravessou o meu caminho!!!! Foi tudo to rápido que o que lembro é que no momento seguinte lá estava eu, abraçando a árvore com lágrimas nos olhos (os passantes devem ter pensado “nossa, essa realmente gosta de plantas!). Em princípio achei que tinha quebrado o nariz, pois no instante da batida ele ficou anestesiado e aquelas lágrimas involuntárias brotavam nos olhos, mas depois vi que não. Também achei que tinha feito um corte na testa, desses em que o sangue escorre incessantemente, mas depois percebi que também não, foram apenas uns arranhões. E quando me dei conta do ridículo da situação tive um ataque de risos. Gargalhadas. Ria e chorava ao mesmo tempo (cara, porque doeu &lt;i&gt;pa&lt;/i&gt; porra!!!!).  Aliás, esse é o lado bom de estar em um lugar longínquo. Você pode dar uma de louca sem medo de dar de cara com um conhecido, porque sabe que ninguém te conhece no pedaço. &lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;
</description>
      <link>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/22940/Canada/Acidente</link>
      <category>Travel</category>
      <category>Canada</category>
      <author>lina_santiago</author>
      <comments>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/22940/Canada/Acidente#comments</comments>
      <guid isPermaLink="true">https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/22940/Canada/Acidente</guid>
      <pubDate>Thu, 3 Jul 2008 18:17:00 GMT</pubDate>
      <slash:comments>1</slash:comments>
    </item>
    <item>
      <title>Gallery: Montréal</title>
      <description />
      <link>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/photos/11539/Canada/Montral</link>
      <category>Travel</category>
      <category>Canada</category>
      <author>lina_santiago</author>
      <comments>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/photos/11539/Canada/Montral#comments</comments>
      <guid isPermaLink="true">https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/photos/11539/Canada/Montral</guid>
      <pubDate>Sun, 29 Jun 2008 14:41:00 GMT</pubDate>
      <slash:comments>0</slash:comments>
    </item>
    <item>
      <title>Eu continuo me perguntando o por quê...</title>
      <description>

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Vir de Vancouver para Montreal, no leste do
país, é como sair de um país e entrar em outro!!! Pra começar, a língua oficial
na província de Quebèc é o francês. Eu até me organizei pra ficar em Montreal
por um tempo aprendendo francês, mas desisti quando descobri que o que eles
falam por aqui é um francês meio, digamos, peculiar. Ou arcaico, seja como for.
Pra se ter uma idéia, quando filmes produzidos em Quebèc passam na França,
passam com legendas em francês. Sacou? Até o momento não estou passando muito
perrengue porque todo mundo em Montreal sabe falar inglês e, se percebem que
você não está entendendo lhufas do que dizem, instantaneamente ligam a tecla
SAP e passam a falar inglês. Simples assim. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Montreal, embora bem maior que Vancouver,
também é uma cidade limpa e organizada, com muitas ciclovias. Por aqui tenho a
impressão de ver mais pessoas sem-teto – embora, nem de longe, possamos
comparar com o Brasil. O metrô, que é limpo como o de São Paulo e abrange boa
parte da cidade, é uma grande facilidade – inclusive para o turista. Tudo está
sempre escrito na língua oficial – francês – primeiro, e na maioria das vezes
também em inglês. Por lei todas as placas de comércio devem estar em francês e,
caso haja também o texto em inglês, esse não pode estar mais destacado que o da
língua oficial. Frufruzice? Poderia ser, mas se pensarmos apenas um pouquinho
sobre como isso surgiu concluímos que não... Fazendo muito curta uma história
longa, o povo de Quebèc queria emancipar a província do Canadá, e pra mostrar
como não estavam de brincadeira sempre mantiveram sua língua e sua cultura.
Sejam quais forem as criticas aos &lt;i&gt;quebecois&lt;/i&gt;,
e que não são poucas, o fato é que eles tiveram muito sucesso em manter sua
cultura e seu estilo de vida.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;É... infelizmente eu tenho que concordar com o
velho bordão: “cada povo tem o pais que merece”. Infelizmente pra uns,
felizmente pra outros, é a mais pura verdade. Tudo o que vejo aqui são pessoas
se respeitando umas às outras, respeitando as leis, as autoridades, e exigindo
seus direitos – de consumidor, de paciente do sistema de saúde, de aluno de
escola pública (aqui não tem escola particular!), enfim, de cidadão que paga
impostos. E no Brasil? Vejo todo mundo querendo levar vantagem sobre o vizinho,
passando os outros pra trás e sendo feitos de bobos por outros, autoridades e
políticos praticando a corrupção na nossa cara – e sendo reeleitos! E nós,
povo, não reclamamos. Quando o assunto morre na mídia, morre também na nossa
lembrança. Não questionamos mais, não exigimos explicações, não exigimos nossos
direitos.&lt;span&gt;   &lt;/span&gt;&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;E, com todas essas nossas pra lá de
questionáveis ações e omissões, ainda queremos ser respeitados????&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

</description>
      <link>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/24705/France/Eu-continuo-me-perguntando-o-por-qu</link>
      <category>Travel</category>
      <category>France</category>
      <author>lina_santiago</author>
      <comments>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/24705/France/Eu-continuo-me-perguntando-o-por-qu#comments</comments>
      <guid isPermaLink="true">https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/24705/France/Eu-continuo-me-perguntando-o-por-qu</guid>
      <pubDate>Thu, 26 Jun 2008 10:48:00 GMT</pubDate>
      <slash:comments>0</slash:comments>
    </item>
    <item>
      <title>Inevitável comparar</title>
      <description>


&lt;p class="MsoNormal"&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Como era esperado, o Canadá é um paraíso para
qualquer viajante independente. Tudo extremamente organizado, pessoas
solícitas, ambiente seguro. Não esperava encontrar nenhum problema por aqui,
como de fato até agora não encontrei. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;O que eu senti aqui foi... uma grande inveja
dos canadenses! Como eles vivem bem, trabalham na medida e são conscientes de
tudo o que têm e do que querem manter. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Vancouver, por exemplo, é uma cidade
absolutamente encantadora. Por todos os lados para que se olhe há verde, muito
verde! Muitos parques, muitas árvores, muita natureza. E as pessoas sabem
aproveitar e dar valor. Conheci diversos canadenses que vão trabalhar de
bicicleta! Isso mesmo, de bike! A população local está se esforçando para deixar
o carro em casa porque sabe que a crise do petróleo pode arrasar com a vida de
todos, e a prefeitura dá uma força com a construção de ciclovias. Não daquelas
ciclovias sem-vergonha que a gente ouve falar por aí, que levam do nada ao
lugar nenhum. Ou que percorrem apenas dois quarteirõezinhos, nada disso! São
longos caminhos que realmente ligam pontos importantes da cidade.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;E a população, incentivada, adere.
Evita o trânsito e ainda fica em forma, olha que máximo!!!!&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Bom, de acordo com uma pesquisa da Mercer Human
Resources Consulting de 2007, Vancouver é a terceira cidade no ranking mundial
de qualidade de vida (perdendo apenas para Zurique e Genebra, ambas na Suíça) e
a 10&lt;sup&gt;a&lt;/sup&gt; cidade mais limpa do mundo! &lt;span&gt; &lt;/span&gt;Ora, com esses dados era de se esperar que o custo de vida
fosse altíssimo, certo? Claro! Vancouver é a 89&lt;sup&gt;a&lt;/sup&gt; cidade mais cara do
mundo pra se viver! Mas o mais chocante pra mim foi perceber que São Paulo
(sim, nossa Gotham City tupiniquim), nesse &lt;i&gt;ranking&lt;/i&gt;,
está em 62&lt;sup&gt;o&lt;/sup&gt; lugar, ou seja, nós gastamos mais pra viver (beeeeeem)
pior. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Ainda sobre Vancouver, fiquei sabendo que a
prefeitura só aprova projetos de construção de condomínios se estes contarem
com um percentual relevante (não sei qual) de área verde. Jardins, mesmo, não
vale um par de vasinhos de plantas na cobertura! E, pelo que pude testemunhar,
não há exceções, não há “jeitinho” que faça o projeto ser aprovado sem a devida
área verde. E, mais importante, há fiscalização (efetiva, por autoridade
não-corrupta), de modo que, como vocês podem imaginar, funciona. &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Todos esses elogios não significam que
Vancouver é o mundo de Alice. A cidade tem problemas, sim, e não são poucos.
Numa de minhas caminhadas de exploração, acabei indo parar na pior parte da cidade,
Gastown, onde havia sido orientada a não ir. Ali vi pessoas esqueléticas se
drogando em plena luz do dia, na rua. Muito triste. Mas, &lt;span&gt; &lt;/span&gt;apesar da minha óbvia cara de turista,
não fui abordada e ninguém tentou me roubar.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Numa inevitável comparação – afinal, o que eles
têm que nós não temos, por que não somos assim também? – cheguei à conclusão de
que o sucesso da cidade é resultado da postura dos seus habitantes.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Claro, existe, sim, o contexto
histórico da colonização e desenvolvimento do Canadá &lt;i&gt;versus &lt;/i&gt;o&lt;i&gt; &lt;/i&gt;dos países
latino-americanos em geral, é inegável que isso contribuiu imensamente para a
forma como vivemos no presente. Mas... caramba, depois de tanto tempo, por que
não saímos do buraco??? &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Definitivamente, acho que é pela nossa postura.
Nossa postura de achar muito natural que nossos jornais tragam diariamente
notícias sobre pessoas mortas em assaltos nas ruas, muitas vezes em plena luz
do dia; assaltos em faróis, seqüestros, arrombamentos; pessoas quase morrendo
que tem que esperar horas em intermináveis filas de hospitais públicos por um
mísero atendimento... e, pior de tudo, nossa postura perante a forma como a
corrupção corre solta pelo governo em absolutamente todos os seus níveis! &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Apenas esclarecendo, eu sou apartidária e não
estou fazendo crítica a nenhum político ou partido específico, mas à classe de
uma forma geral. Malditos #&lt;/span&gt;&lt;span&gt;☁☠!!! &lt;/span&gt;&lt;span&gt;Eles
metem a mão, a gente não faz NADA&lt;/span&gt;&lt;span&gt; e ainda por cima reelege os
bandidos!!! &lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Acho que no fundo a gente merece... &lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;




&lt;/p&gt;</description>
      <link>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/20800/Canada/Inevitvel-comparar</link>
      <category>Travel</category>
      <category>Canada</category>
      <author>lina_santiago</author>
      <comments>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/20800/Canada/Inevitvel-comparar#comments</comments>
      <guid isPermaLink="true">https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/20800/Canada/Inevitvel-comparar</guid>
      <pubDate>Wed, 18 Jun 2008 13:57:00 GMT</pubDate>
      <slash:comments>0</slash:comments>
    </item>
    <item>
      <title>Começando!!!</title>
      <description>
UAU, como estou feliz por estar fazendo isso!!!!! 

Não foi uma decisão fácil largar tudo por um tempo, deixar de trabalhar, abrir mão de estar com minha família, meu cãozinho e meus amigos. É claro que, antes de começar, a dúvida bateu várias vezes. Mas estou feliz por ter seguido em frente, por não ter desistido. A pior parte foi mesmo o começo, tudo o que tive que fazer – ou melhor, deixar de fazer - antes de entrar naquele avião. Mas na decolagem começou a parte fácil do plano.

Bora??????? 
</description>
      <link>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/20802/USA/Comeando</link>
      <category>Travel</category>
      <category>USA</category>
      <author>lina_santiago</author>
      <comments>https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/20802/USA/Comeando#comments</comments>
      <guid isPermaLink="true">https://journals.worldnomads.com/lina_santiago/story/20802/USA/Comeando</guid>
      <pubDate>Sat, 7 Jun 2008 14:09:00 GMT</pubDate>
      <slash:comments>1</slash:comments>
    </item>
  </channel>
</rss>